sábado, 13 de novembro de 2010

Que chatice!

Por Eduardo Louro


   


Hoje foi, de há 40 anos a esta parte, o primeiro sábado em que, estando no país, não comprei o “A Bola”. Por solidariedade com o Ricardo Araújo Pereira (RAP) que, por sua vez, se solidarizara com o Zé Diogo Quintela (ZDQ)!


Já aqui referi diversas vezes a minha forte ligação a este jornal e aos seus grandes mestres, com quem aprendi, não só a ler e a escrever, como a gostar de escrever. Por isso esta minha decisão de hoje não foi nada fácil. Pareceu-me estar a separar-me de muitos anos da minha vida, como que a deixar para trás uma boa parte de mim. E isto não é fácil!


O RAP escrevia em “A Bola” aos sábados. O ZDQ fazia-o aos domingos e, às terças, o Miguel Sousa Tavares (MST).


O MST não é exactamente uma personalidade pacífica no panorama mediático. Antes pelo contrário, é uma personagem dada à conflituosidade o que, obviamente e por si só, não é mal nenhum. A não ser quando se não consegue ser absolutamente coerente e quando se muda de posição ou de barricada. O MST é portista! Nada de mal, mais uma vez. Fanático! Bom, aceita-se. Afinal nestas coisas dos clubismos há sempre muito exacerbo, frequentemente próximo do fanatismo.


Perde a razão e fica com a vista turvada quando escreve sobre futebol. Bom, não é bonito! Nem sequer muito abonatório para a personagem que pretende interpretar neste jogo da vida, mas, se ainda por cima lhe pagam… E, claro, esquece-se da coerência, uma velha pecha. Daí que, se isso lhe interessar para o argumentário do seu clubismo cego, hoje diga o contrário do que disse ontem. Hoje defenda o que ontem atacou ou desminta a sua verdade de ontem…


Claro que as famosas escutas do Sr Pinto da Costa são palco privilegiado para esta peça!


O RAP, perante tão repetidos e grosseiros atentados à coerência, provavelmente porque teve meios para a necessária pesquisa, resolveu começar a revelar na sua coluna dos sábados as verdades/mentiras do MST: em tantos do tal escreveu isto para em tal dos tantos escrever exactamente o contrário…


O MST ia respondendo na sua coluna das terças-feiras. Como podia. Quase sempre mal, no estilo de pior a emenda que o soneto. E ia-se enterrando, dando o flanco e expondo-se. Até que começou a expor insuspeita ignorância, logo aproveitada pelo RAP para dar uma lição sobre a matéria.


Foi aqui que acabou a paciência do MST. Por falta de argumentos, porque contra factos não os há, passou ao ataque pessoal. Bem, até foi ao ataque colectivo – aos Gatos Fedorentos. Aí, entrou em cena o ZDQ, na sua coluna do domingo, expondo ainda mais as fragilidades do MST. Que não resistiu a ameaçar com o abandono!


No último domingo a crónica do ZDQ foi censurada. Sim. CENSURADA! “A Bola” cortou o que entendeu e, evidentemente, o ZDQ tomou a única atitude que os nobres de carácter podem tomar. E o RAP foi solidário e deixou também de escrever em “A Bola”.


O MST faz alarde em declarar-se feroz opositor das redes sociais e da blogosfera. Tenho a impressão que, se fosse ele a mandar, até a Internet proibiria. Até aqui eu não percebia porquê, só agora entendi: é que na blogosfera ele não pode ordenar a nenhum director, nem a ninguém, que corte e censure o que se escreve. A blogosfera não lhe garante a imunidade que os jornais e as televisões lhe asseguram, nem lhe protege o estatuto que o berço lhe deixou. Na blogosfera até os plágios se descobrem! Que chatice!


 


PS: Esta matéria traz a nação benfiquista em ebulição, como se pode ver aqui e ali.

6 comentários:

  1. Já tinha ouvido qualquer coisa sobre o assunto, até no Governo Sombra, mas depois desta sua explicação também fico incomodado.
    Como não compro A Bola fico sem saber o fazer, mas também vou deixar de folhear quando tropeçar num qualquer exemplar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há sempre qualquer coisa que se pode fazer. Dizer mal, divulgar... Mesmo deixar de folhear é um bom sinal de protesto. Bom, e se for acompanhado de uma "declaração de voto"... nem digo nada!

      Eliminar
  2. Pedro Rosa de Oliveira15 de novembro de 2010 às 04:26

    Era uma das "jornalnovelas" mais interessantes dos últimos tempos e que me fazia ler MST...
    Como é óbvio este FDS fiquei chateado...Vou dizer ao restaurante ,onde costumo almoçar, para comprar outro jornal e ao FDS não há desportivos para ninguém...Assim sempre poupo 1,6 euros ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho muito bem e agradeço a solidariedade... Com as necessidades de poupança também começo por aí: 1,60 euros por fds já cá cantam!

      Eliminar
  3. Agora tenho um problema... não compro a bola, e menos estando em espanha, por isso essa forma de protesto não me serve! E smpre houvi dizer q a bola era um jornal benfiquista... Mas tenho um problema maior... Sempre gostei do RAP e do JDQ, e sou da geração dos gato fedorento... Mas sempre tive uma enorma admiração pelo MST. Gostava da sua escrita e com ele aprendi muito, e admirava o seu carácter e a sua atitude... E até a sua coerência... Isto é uma tremenda desilusão. E qd as desilusões são grandes e profundas, não há formas de protesto, apenas de tristeza.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Essa de A BOLA ser um jornal benfiquista é "chão que já deu uvas". Parece-o apenas porque eles sabem que é o que vende. A este propósito fiz-te o fwd de um comentário que recebi via mail (não o transcrevo aqui porque se o comentador quisesse que fosse público tê-lo-ai enviado para aqui e não para o meu mail): vale o que vale, mas não deixa de ser sintomático!
      Num dos últimos exemplares de A Bola que comprei, o jornalista Fernado Guerra tinha um PS ao seu artigo em que apenas dizia ao Sr Pinto da Costa que só almoçava com quem queria. Perante esse comentário lembrei-me desse PS!
      Quanto às desilusões ... é a vida, como dizia o outro! E a vida está cheia delas, como vais começando a aprender!

      Eliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...