Por Eduardo Louro
Cavaco tomou posse e voltamos à normalidade institucional: toda a gente na plenitude dos seus poderes, sem constrangimentos!
O pior foi o discurso! Bom, o pior não foi propriamente o discurso, foi o estado em que deixou as coisas…
Que o discurso de tomada de posse de Cavaco seria incomodativo para Sócrates – não vale a pena dizer para o governo: o governo é Sócrates, e Sócrates é o governo – já todos sabíamos. Já aqui o tinha previsto ao apontá-lo como uma das marcas de uma semana bem complicada para Sócrates: nenhuma novidade, portanto.
Também, a propósito desse discurso, aqui deixara dois votos: que limpasse o discurso de vitória e que desse sinais de que percebia a sua quota-parte de responsabilidade no estado do país, a condição sine qua non para se revelar parte da solução.
Se fui bem sucedido na previsão – não era difícil acertar – já nos votos que formulara não tive direito a nada. O que é condição suficiente para baralhar o discurso por completo!
É que, ao não limpar o discurso de vitória, este da tomada de posse confunde-se com a parte II do ajuste de contas. E, ao não deixar transparecer a mais leve responsabilidade neste estado de coisas, retira credibilidade ao diagnóstico. Que, apesar de há muito estar feito por toda a gente neste país, constituía o prato forte do discurso e o mais consensual!
Assim lá se ficou pela tareia a Sócrates com ameaças de “ainda vais levar mais”. Ah! E com os incentivos à revolta da geração à rasca… Ou da geração P…
Parece-me que, em qualquer país decente do mundo, qualquer primeiro-ministro minimamente decente teria entregue em Belém hoje, bem cedinho, logo pela manhã, um bilhetinho com a demissão!
E lembrarmo-nos que já ouvimos falar de pântano e de trapalhadas!
Sem comentários:
Enviar um comentário