sexta-feira, 11 de março de 2011

MAIS PEC(ADOS)

Por Eduardo Louro


 


Logo depois da discussão da moção de censura (ou de ternura, como disse Paulo Portas e que corresponde ao que aqui se disse logo que foi anunciada) da Assembleia da República (AR) o governo vem apresentar novas medidas de austeridade – mais um PEC.


A intenção tinha sido já anunciada na semana passada, na véspera da insólita visita à Senhora Merkl. Percebemos logo, apesar de embrulhadas num condicional mais que perfeito, que vinha nova vaga, à imagem do tsunanmi que está a fustigar o Japão e toda a costa do Pacífico. Que aquilo não tinha nada a ver com condicional nenhum!


Assim sendo estávamos perante um problema de calendário. O governo não as podia apresentar antes da discussão da moção de censura, mas tinha que as apresentar antes de entrar para o Conselho Europeu. Só restava esta manhã, e já em Bruxelas! Um timing, evidentemente, simpático para os partidos da oposição – que acabavam de regressar a casa depois de uma tarde com o governo no plenário da AR – e para os parceiros sociais – entretidos na concertação social numa sala fechada, todos apanhados de surpresa!


À chegada a Bruxelas, enquanto numa sala Teixeira dos Santos dava a boa nova, Sócrates dizia aos jornalistas que “Portugal está aqui para dar a sua contribuição para a Europa e para a moeda única”. Que estas novas medidas se destinam a transmitir aos europeus o reforço da ideia da determinação (como ele gosta desta expressão!) do governo em cumprir o défice. E que a execução orçamental está correr lindamente…


Evidentemente que Sócrates já esgotou a capacidade de nos surpreender. Que já não tem qualquer preocupação em parecer sério. Nem em ter vergonha…


Não tem vergonha quando está em Bruxelas de calças na mão, completamente nas mãos da UE e do seu Fundo de Estruturação Financeira – leia-se Srª Merkl – e diz que Portugal (não é ele, é Portugal) está ali para dar a sua contribuição. Não tem vergonha quando apresenta um novo (o enésimo) pacote medidas de austeridade sem que uma única e pela mesma enésima vez, toque no monstro. Nem tem vergonha em afirmar que estas novas medidas são necessárias para assegurar o cumprimento do défice e, ao mesmo tempo, dizer que a execução orçamental está a “correr bem, muito bem e que temos bons números”!


Ora bem, mais depressa que o que contávamos – apenas dois dias – aí está o primeiro desafio ao Presidente: “há limites para os sacrifícios impostos aos portugueses”!


Há? Então, Sr Presidente?


É que do lado PSD já está tudo visto… Daí não vem nada!

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