sexta-feira, 11 de março de 2011

Futebolês #67 CASA

Por Eduardo LouroVer imagem em tamanho real


 


O futebolês também tem casa. Talvez, como muitos portugueses – se a média, segundo o INE, é uma casa para 1,86 portugueses … – tenha até mais que uma. O Quinta Emenda não se importa nada de ser uma das suas casas!  


Tem a casa do disparate (que grande casa!), a casa da fruta – versão do futebolês, com sotaque nortenho, da casa de alterne – e tem a casa de Pinto da Costa, com acesso guiado pelas escutas que não contam para nada. E tem as casas: do Benfica e do Porto, espalhadas pelo país e até pelo mundo. O Sporting - sempre diferente - não lhes chama casas, chama-lhes núcleos sportinguistas! Mas, em futebolês, casa é mesmo para definir o lar da equipa, o seu ambiente aconchegado, o seu estádio. Onde joga, mas já não onde treina, agora que estão criadas as academias, os campus, os centros de estágio ou os centros de rendimento… Para todos os gostos!


A casa é assim, agora, como uma sala de visitas. Serve apenas para receber os seus pares, mesmo que na qualidade de adversários, e já não para viver o dia-a-dia. Onde, evidentemente, nos sentimos bem. Jogar em casa é e será sempre um privilégio! Por muito que o Sporting, que, como se sabe, tem aquela velha mania de que é diferente, pretenda contrariar isto!


Fica-se assim com a ideia que no futebol há uma enorme preocupação em receber bem: vive-se e trabalha-se noutro espaço para poupar a sala de visitas, para que esteja nas melhores condições e à altura das visitas. Para prestigiar a condição de anfitrião!


O Benfica recebe na Luz, na maior sala de visitas do país, na Catedral! E, para que esteja que nem um brinquinho quando recebe os seus adversários, passa-se para a outra banda, para o Campus do Seixal.


Será com a mesma ideia que o Sporting deixa Alvalade e a Alvaláxia e atravessa a ponte até à Academia de Alcochete? Não sei, não estou seguro que seja. Se fosse também não deixariam lá entrar aquela rapaziada da Juve Leo, que vira tudo do avesso. Penso mesmo que é por outra razão. O que o Sporting precisa de poupar é o relvado, para ver se aquilo se aguenta mais do que um mês. Quando lá instalarem um sintético – parece que é a única solução para terem um campo que aguente uma época – lá se vai a razão para poupar a sala de visitas… A não ser que o próximo presidente consiga pôr alguma ordem naquela rapaziada. Coisa que, fosse eu candidato, colocaria como primeira prioridade do meu manifesto eleitoral. Assim:



  • Primeira promessa – pôr a Juve Leo na ordem;

  • Segunda promessa – contratar Cruyff para director desportivo;

  • Terceira promessa – contratar o Pepe Guardiola para treinador;

  • Quarta promessa – contratar o Messi, o Iniesta, o Xavi, o Piqué, o Fabregas, o Nasri, o Fábio Coentrão, o Cristiano Ronaldo e o Ozil.


Bem sei que a primeira seria a mais difícil de cumprir, mas também seria a mais emblemática!


O Porto também deixa o seu Dragão e, como não pode ficar atrás, também atravessa o rio, para passar a semana no centro de estágio do Olival. Mas por outra razão: é que o Dragão, durante a semana, é necessário para sessões de formação de assistências a espectáculos de futebol. Em cânticos e no lançamento de bolas de golfe, isqueiros e outros objectos voadores para o relvado.


Uma actividade que começa já a dar os primeiros frutos. Depois da formação interna, e obtido o correspondente CAP de Formador, passaram a dar formação para fora.


A primeira fornada de formandos exibiu já as suas capacidades em Braga, no passado domingo. Onde está a nascer mais um expoente da arte de bem receber!


 

4 comentários:

  1. Olá !

    Como vai ?

    Desculpe esta pequena ntervenção. E que não tem nada a haver com o futebulês

    Não pensa que é um insulto à arte ( que não é Portuguesa mas universal ) qualificar o estádio da Luz como Catedral ?

    A última catedral, na Europa, a ser catedral foi o centro Pompidou, em Paris. Graças a engenharia mecánica.

    Efectivamente, a construção do Centro Pompidou obedeceu às mesmas normas geómetricas que uma Catedral clássica por assim dizer.

    E a escolha caíu na engenharia mecanica porque se perdeu o saber do trabalho da pedra.

    Sem qualquer ofensa, penso que os pt dedicam demasiado tempo ao futebol.

    O que é pena.

    Nuno





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    1. Caro Nuno,

      Sabe que é sempre com o maior dos gostos que o vejo por aqui. Não há polémica que possa desvanecer este gosto e este prazer em recebê-lo aqui, como acho que já percebeu.
      Concordo em absoluto consigo que em Portugal (será apenas em Portugal?) se fala muito de futebol. Como sabe, e sei que sabe porque a acompanha desde o início, esta rubrica que venho alimentando há tanto tempo serve para brincar um pouco com tudo isto. E tudo isto é uma matéria que mobiliza paixões e, irremediavelmente, explorada até ao limite pelos media que arregimentam todos, literalmente todos, os sectores da sociedade.
      Pela minha parte escrevo estas coisas para me divertir, nunca para provocar outra coisa que não seja convocar as diversas sensibilidades nestas coisas para uma sã e descomprometida reflexão muito" light " sobre o mundo da bola. Que vale sempre muito mais que o que realmente vale!
      Claro que, numa semana em que um dirigente do Benfica foi agredido à saída de um restaurante no Porto, temos muita dificuldade em defender tudo o que o se limite à dimensão lúdica, despretensiosa e de mente aberta do fenómeno do futebol. Mas isso são actos que ficam com quem os pratica.
      Quanto à catedral, Nuno, essa é apenas uma expressão popular. Vale apenas o que vale e se vale alguma coisa é apenas no sentido da "religiosidade clubística" e nunca no sentido arquitectónico.
      Um abraço e boa semana, Nuno!

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    2. Olá,

      Não creio que a palavra catedral aplicada ao estádio da Luz seja assim tão gratuita num país onde o consciente e inconsciente católico reinam.

      Isto dito, sou contra a Inquisição. Lol !

      Quanto ao centro Pompidou, denominado popularmente centro Beaubourg, existe uma excelente obra que mostra que apesar das aparências a construção de Beaubourg obedece às regras da construção, tal e qual, duma catedral. O grande problema meu é que parece que estou a ficar xe-xe e esqueci por completo o nome do historiador-arquitecto que apresenta esta tese. Mas voltarei.

      Um Abraço,

      Nuno

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