Por Eduardo Louro
Ontem o Der Spiegel divulgava que Helmut Kohl teria confidenciado que ”Merkel estava a dar cabo da Europa que ele ajudara a construir”.
Hoje é Hortst Teltschik – antigo conselheiro para a política externa de Kohl – a criticar, em entrevista à revista DerTagesspiegel, a actuação de Merkel e a dizer, sem papas na língua, que “a chanceler não apresenta qualquer ideia sobre o futuro da Europa”. E a reclamar uma intervenção imediata, lembrando que é preciso uma política orçamental comum, uma política comum para combater as dívidas soberanas, e uma política financeira comum.
E a oposição social-democrata – o SPD – acaba de manifestar o apoio que Merkel necessite para as medidas (impopulares) de intervenção na actual crise.
Parece que uma aragem de juizinho está a passar pela classe política alemã. Não é sem tempo!
Olá,
ResponderEliminarEm seguimento do meu comentário à juízinho 1, gostaria acrescentar que a ideia de duas zonas euros é do economista Francês Christian Saint Etienne . Por um lado, os países produtores e com balança excedentária ( Alemenha , Benelux..), por outro lado os países do sul cuja actividade assenta esencialmente no consumo ( França, Espanha, Portugal...).
A ideia que a simbólica do eixo al fr </a>possa ser posta em causa em nada variaria, já que haveria um euro-marco e um euro-franc .
Não me parece uma hipótese absurda.
Haverá que lembrar que a política turboliberal do governo Francês de Sarkozy com as suas prendas fiscais às multinacionais e bancos fr e não só ( o investimento qatari , é isento durante 5 anos de pagar imposto sobre as grandes fortunas) desequilibrou totalmente o equilíbrio das finanças públicas Francesas.
Efectivamente, penso que sem federalismo político iremos para esta solução de dois euros. Mas posso me enganar. Qual país está pronto a abdicar da sua soberania ? Que peso se quer dar ao Parlamento Europeu ?
Num excente artigo que, estupidamente, não guardei , Michel Rocard , afirmava que a recusa da Inglaterra em entrar no euro equivalia a meio século perdido para a Europa.
O que Markel não quer assumir é o papel de liderança ! Após dezenas de anos de humilhação, a Alemanha reunificada parece ter medo que a acusem de novo de expansionismo e de soberania numa Europa federal... ?
Nuno
Concordo com o que diz, Nuno. Não acredito que a UE esteja em condições de dar o salto político que é indispensável para manter uma união económica e monetária, pelo menos em tempo útil. Quero dizer a tempo de salvar um euro único. Se a solução passa por dois ou mais euros não sei. Há um problema de confiança e de credibilidade da UE que constitui um enorme quebra-cabeças para esta fraca geração de políticos europeus.
EliminarUm abraço, Nuno.