Por Eduardo Louro
O ministro das finanças convocou uma conferência de imprensa para as 18 horas de hoje com o anunciado objectivo de apresentar a configuração do novo imposto, do imposto extraordinário ou do que quer que lhe chamem. Sim, porque chamem-lhe o que lhe chamar, ele não é só injusto. Nem indecente. É também ilegal!
Chamo a atenção, a este propósito, para este excelente texto do Prof. Meneses Leitão, que tive oportunidade de comentar.
O ministro das finanças, para iludir a ilegalidade, optou por chamar-lhe sobretaxa extraordinária de IRS e, constituindo o tema central, dedicou-lhe apenas 5 dos 35 minutos da exposição com que abriu a conferência de imprensa: 1/7.
Mas não é por isso que deixa de ser ilegal!
Os restantes 6/7 da comunicação foram dedicados a pequenas histórias, com duas únicas excepções: uma para fazer passar uma mensagem publicitária – “a estratégia de consolidação orçamental passará a consistir em 2/3 da redução da despesa e 1/3 de aumento da receita” –; a outra para a anunciar o programa de privatizações e a lista de empresas a privatizar.
Mas, sobre a redução da despesa, nem uma única medida … Apenas a confissão conformista que já estamos cansados de ouvir: não produz efeitos imediatos! Precisamente por isso é que deveriam ser as primeiras a ser programadas e anunciadas, para que pudessem produzir efeitos mais cedo. Pudemos por isso perceber que bem podemos esperar sentados pelos 2/3 da consolidação orçamental!
Ao contrário, as privatizações estão já todas programadas. Por que será?
Tranquilizem-se que eu dou a resposta: é porque fica do lado em que esta gente sabe mexer. Do da receita! Como só sabem mexer deste lado não importa se, privatizar aqui e agora, quer apenas dizer entregar ao desbarato boas empresas ao capital estrangeiro. Esta já é uma medida que produz efeitos de imediato … vamos a isso!
Não fosse isto e teria sido uma grande performance do novo ministro das finanças. Na pele do tecnocrata, fora do registo político formal! Grande na forma mas pequeno (e mau) a substância!
Comecemos pela pontualidade: às 18 horas em ponto o ministro entrava na sala, numa prova de respeito pelas pessoas que ali estavam - pelos jornalistas – e por todas as que seguiam a conferência de imprensa através dos media. Às 19:30 encerrou, conforme aviso inicial.
Não estamos habituados, embora devêssemos, a este rigor!
Nem à disponibilidade para responder às perguntas dos jornalistas: sem outra condição que não fosse o tempo - cerca de uma hora. Nem à preocupação na resposta objectiva: o ministro anotava todas as questões que lhe eram colocadas, indiferente aos minutos de silêncio que isso provocava na sala. E respondeu a todas no seu tom pausado mas claro, mesmo às que toda a gente fugiria, como foi o caso de uma pergunta sobre o desvio colossal que, lembrando a silly season que está à porta, foi transformado no grande problema desta semana. Chegou a ser naif nessa resposta mas respondeu-lhe e, com essa resposta, matou à nascença qualquer tentativa de novas perguntas tolas. E até das incómodas!
Reconheço que é um estilo que conquista adeptos: é jogar para a bancada, como se diz em futebolês! Mas não é ganhador. E nós temos de ganhar, não podemos perder nem sequer empatar!
Só há uma oportunidade de deixar uma boa primeira impressão. Esta não é uma primeira grande impressão, mas venham daí mais oportunidades…
Este povo que castigou 6 anos de herança socialista é o mesmo que consente a imposição de um novo imposto extraordinário. Como se o seu fado fosse aguentar com eternas cargas fiscais e acreditar em patranhas governativas do estilo viajar em classe económica para "dar o exemplo" - quando se sabe que a TAP não cobra bilhetes a esses membros -, ou isentar os funcionários do Ministério da Agricultura do uso da gravata para poupar na electricidade. Num passe de magia, trocaram-nos os passos, afinal não chegou o D. Sebastião, e, apesar do coelho sair da cartola, o máximo que se conseguiu arranjar é uma colossal extorsão em forma de contribuição a ser paga pelos mesmos de sempre: os trabalhadores por conta de outrem, os precários de recibos verdes, os reformados e os pensionistas.
ResponderEliminarAntes de mais permita-me que lhe dê as boas-vindas. É verdade Dylan, isto está a transformar-se em "mais do mesmo". Acabamos sempre por regressar ao mesmo ponto: parece que é esta a nossa sina!
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