quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ZECA SEMPRE

 


Por Eduardo Louro


 


 



 


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, o nosso Zeca Afonso, partiu há 25 anos. Cedo de mais, como sempre acontece com os que ficam mitos…


O Zeca deixou-nos um legado de determinação cívica, de luta e de resistência. Foi perseguido e resistiu, foi preso e escreveu canções, foi impedido de trabalhar e de ganhar o seu sustento e construiu a música portuguesa do futuro.


Tirando-se das Suas Tamanquinhas,  enquanto Houve Força,  Furou, Furou pelos dias deste país como Galinhas do Mato,  A Ser Como a Toupeira. Começou por cantar Coimbra,  em Baladas e Canções, Como se Fora seu Filho, que não era. Cantou Cantigas de Maio em Coro dos Tribunais e Cantares de Andarilho no Natal dos Simples! Chamaram-lhe Cigano Resineiro Engraçado, para que não fosse levado a sério. Mas Vieram mais Cinco, cada um Trouxe Outro Amigo Também, e, às ordens da batida de Grândola, Vila Morena, como Índios da Meia Praia, chegaram Os Filhos da Madrugada que fizeram uma manhã clara depois de toda uma vida na noite inteira.


Ah... Se encontrássemos em cada esquina um amigo...


 


 



4 comentários:

  1. Olá,

    Gostei.

    Eu vi-o, ao vivo, em Paris no teatro do Chatelet.
    Um grande poeta e músico.
    Tanto tempo...

    Abraço,

    Nuno

    O post sobre a água fez-me imensamente rir, embora eu saiba que o assunto é sério.

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    1. Sem dúvida, Nuno. Um grande poeta, um grande músico. Nessa qualidade marcou a (boa) música portuguesa que se tem feito nos últimos 40 anos. E tem sido redescoberto pelas novas gerações. de músicos: todos lá vão beber!
      Mas foi também um homem de cultura e um pensador que marcou a minha geração.
      Água é coisa que, mesmo sem chuva e com seca, não falta por cá. E em especial no Parlamento, sítio particularmente propenso a "meter água". Mais ainda do que a que o seu Porto meteu ontem em Manchester ...
      Um abraço, Nuno.

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  2. Eduardo e Nuno,
    O José Afonso cantor de intervenção defendia a revolução armada, achava que os seus adversários políticos devias ser tratados de 'rajada' e defendeu Otelo e os seus terroristas do PRP.
    Ouvi-lo é agradável pois faz-nos lembrar as músicas do epitáfio do Comunismo...
    Não levem a mal o sarcasmo mas não tenho pachorra para entronização desta personagem que é uma criação do politicamente correcto e que nunca existiu.
    Um abraço

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    1. Ó Paulo, como diz a outra: "Isso agora não interessa nada".
      Eu sou dos que acham que os mitos não se abatem. Pela parte que me toca, guardo o lado romântico da coisa. Depois interessa-me a sua música e as suas letras, que ele sempre fez questão de não chamar poesia.
      Um abraço Paulo. Há muito que não o via por aqui!

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