quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Populismo em férias*

Convidada: Clarisse Louro


 


Há muito que Passos Coelho, entre as muitas outras surpresas que me reservou, me surpreendeu com traços do mais primário populismo, manipulando cada vez com maior mestria dois dos seus mais eficazes factores de sustentação: a demagogia e o providencialismo.


Ainda no passado sábado, no seu discurso do Pontal – mesmo que longe do velho Pontal, de Faro, continua a servir à designação da rentrée política do PSD – isso foi mais, que evidente, chocante!


Poderia retirar justamente daí uma série quase infindável de passagens que atestam a forma como Passos Coelho mistura a demagogia mais básica e rasca com a missão providencial que, de tanto querer convencer os outros, já ele próprio está convencido que lhe foi destinada.


Por limitações de espaço – a que hoje tenho de obedecer – não seguirei esse filão e vou tentar transmitir a mesma ideia através de outro episódio mais simples, e por isso mais rápido de tratar. Refiro-me às suas famosas férias de Manta Rota!


Pedro Passos Coelho tem todo o direito de passar as férias onde quiser. Até em Manta Rota, onde, mas não como, ao que se sabe sempre fez. Ora aí está: tem todo o direito de fazer férias onde fazia, mas então teria de as fazer como as fazia.


Quer transmitir a ideia que mantém o regime de férias anterior ao exercício das suas funções de primeiro-ministro. Que não vai para resorts de mais ou menos luxo, longe da vista do povo. Que não vai de férias incógnito e para local desconhecido, em circunstâncias mais ou menos adequadas de privacidade e reserva que as suas funções impõem, mas à vista de toda a gente, na mesma praia e nas mesmas condições do cidadão comum e mesmo dos menos abonados, correndo até o risco, agora que abriu a perseguição fiscal a esse tipo de oferta turística, de lhe pedirem o recibo da renda da casa. Mas não dispensa um aparato de segurança invulgar, nem se incomoda com os incómodos que isso causa a todos os outros. Nem com o fecho de todas as ruas das imediações, tornando num inferno a vida dos que, ali, são seus pares. Nem sequer se sente incomodado com as câmaras de televisão que invariavelmente tem a cada chegada, a mostrar o caricato que é o primeiro-ministro, que em funções não dispensa o seu Mercedes classe S, chegar no seu Renaultzito…mas rodeado de carros com seguranças. E também não se preocupa que as suas férias, com o policiamento público e a segurança privada que exige, saiam muito mais caras ao erário público que uma estadia num resort de luxo!


Isto é populismo. Do mais rasca!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

8 comentários:

  1. Palhaçada de texto!
    Se o homem fosse para um dos tais resort que fala era o 'Deus me acuda' que era com o dinheiro dos contribuintes, etc.. como vai para o local de sempre (diz esse aglomerado de letras) 'Deus me acuda' que atrapalha.. Sabe o escriba desse monte de palavras o que é populismo? é exactamente esse chorrilho de letras que juntou, aliás, populismo e demagogia barata!
    PS: E sim, sou PSD embora para o caso não faça diferença nenhuma.

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  2. José Manuel Colchete23 de agosto de 2014 às 11:03

    Minha Senhora por favor evite comentários deste género.São dos mais rasca que tenho lido.A Sr.a deixa envergonhados os verdadeiros jornalistas portugueses!
    Critique ,e tem todo o direito para o fazer, o primeiro-ministro o governo,quem a Sr.entenda e pelas razões que muito bem entender,e poderá ter algumas,mas está sua nota jornalística ,retira ,por confusa,sem nexo e sem conteúdo de razoabilidade todo e qualquer interesse à sua "escrita".
    O jornal de Leiria não merece tal sorte!!

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  3. Esta senhora pseudo intelectual, tao grosseiro e' o seu comentario, que nao merece ser comentado...

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  4. Mas afinal Passos Coelho como político é uma fraude.Chegou a PM à custa de uma campanha feita de mentiras. E depois a sua competência foi o que se está a ver a destruição do País.

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  5. Dizem mal do Passos Coelho. Talvez o Sócrates ou o Durão, ou o Mário ou o Cavaco, ou o Guterres fossem melhores? Parem lá com a conversa da treta!

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  6. Subscrevo na integra! Só um cego ou quem gostar de ser enganado é que continuará a defender um alegado primeiro-ministro como este...

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  7. Estou de acordo com o texto. Foi exatamente assim que conclui da oração do grande líder aos seus. Mas quem ama não vê. E quem não vê por não ser cego dos olhos, está numa das seguintes situações: 1 - Está a ser lixado e não nota; 2 - Está a ser lixado com orgasmos; 3 - Não está a ser lixado, mas a lixar outros cidadãos no alto do taxo que lhe deram.
    Nisto há um problema: Quem paga os taxos somos nós e quem nós alimentamos usa-nos para obter orgasmos sem sequer nos dar beijos na boca.
    A isto, eu chamo praticar estupro.

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