Por Eduardo Louro
O Presidente da República, que presumo já tenha regressado de férias, continua sem uma palavra sobre o BES. O maior escândalo financeiro da história do país continua sem merecer uma única palavra do mais alto magistrado da nação.
E no entanto ontem houve notícias. Ontem, Cavaco achou por bem publicar no site da presidência o vídeo com as suas lestas e apressadas declarações pouco anteriores ao colapso final, em que sossegava os portugueses com a conversa de que o Banco tinha almofadas, e que o Banco era bom, mau era o Grupo.
Cavaco, que, repito, não demonstrou qualquer sinal de preocupação com as gravíssimas consequências para a economia e para o país, está mais uma vez muito preocupado consigo próprio, e muito incomodado com as responsabilidades que um advogado das vítimas do BES lhe atribuiu exactamente por aquelas declarações. E vai daí e tira este coelho da cartola, pegando nas mesmíssimas declarações, republicando-as e fazendo-as ecoar por toda a comunicação social para nelas se escudar atrás do Banco de Portugal.
É mais uma habilidade de Cavaco, o malabarista mor da política portuguesa. Cavaco, com este número de malabarismo, quer dizer que não disse que os portugueses podiam confiar no Banco, que disse tão só que o Banco de Portugal o tinha dito. Na realidade não foi ele que disse que os portugueses podiam confiar no Banco e nas almofadas que tinha. O Banco de Portugal – cujo excelente serviço, nas mesmas declarações, não se cansou de elogiar – é que andava a dizer esses disparates todos…
Simplesmente lamentável. Tão lamentável que Cavaco merece que lhe digam que a sua responsabilidade na corrida dos pequenos investidores ao aumento de capital do BES não decorre apenas daquelas suas palavras. Tem antes a ver com a sua autoridade na matéria enquanto investidor nas acções do BPN. Quem então ganhou tanto será sempre visto como um grande especialista!
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