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Ontem foi dia de divulgação de resultados, tendências e previsões, com a publicação de Relatórios da Comissão Europeia, Boletim Económico do Banco de Portugal e dados do INE.
A Comissão Europeia mantém as previsões de crescimento para a nossa economia nos 1,7%, mantendo as duas décimas abaixo dos 1.9% do governo, em qualquer dos casos acima do crescimento que prevê para a UE e para a Zona Euro, de 1,4% para este ano e 1,6% para o próximo.
Ou seja, a economia portuguesa vai, pelo quinto ano consecutivo, manter-se no caminho da convergência com a Europa. O que não impede a verdade trazida à estampa na capa do Jornal de Negócios: "Portugal está mais pobre face à Europa do que antes do Euro".
Mas também pelo quinto ano consecutivo, segundo o Boletim Económico do Banco de Portugal também ontem publicado, a produtividade baixou no nosso país. No ano passado voltou a cair, baixando em 0,6% face ao ano anterior.
Segundo os dados ainda também ontem publicados pelo INE, quase 1,8 milhões de portugueses está em risco de pobreza. 17,3% da população vive com menos de 467 euros por mês, mesmo que desde 2014 estes números estejam a descer. Pelo quinto ano consecutivo, também.
Números são números. E diz-se geralmente que não mentem. E os números deste dia particularmente cheio deles dizem três coisas.
A primeira já a conhecíamos de há muito. É que a adesão de Portugal ao Euro foi uma aventura. Poderia ter sido um desafio, um enorme desafio às nossas capacidades, como muitos de nós o vimos, mas acabou por ser uma apenas aventura que pagamos caro. Duas décadas depois são os números a dar razão aos poucos que sempre acharam que não tínhamos pedalada para o desafio, e aos mais - bem mais - que se sustentavam em razões ideológicas.
A segunda confirma que estamos cada vez mais longe de agarrar o desafio que se transformou nesta aventura. Sem moeda para desvalorizar para adquirir competitividade, e com a produtividade a cair em vez de aumentar, são os salários que continuarão a pagar a factura.
E a terceira é que estas primeiras duas décadas do século se dividem em três partes: uma primeira, de uma década inteira perdida, em que toda a gente tratou da sua vidinha sem que ninguém ligasse nada ao país; uma segunda, na primeira metade da segunda década, a lamber umas feridas e a aprofundar outras, e a terceira e última nos últimos 5 anos. Sim, são os números que falam nos últimos cinco anos!
"Ou seja, a economia portuguesa vai, pelo quinto ano consecutivo, manter-se no caminho da convergência com a Europa. O que não impede a verdade trazida à estampa na capa do Jornal de Negócios: "Portugal está mais pobre face à Europa do que antes do Euro".
ResponderEliminarOu seja, um português reformado a quem aumentaram o rendimento disponível equivalente a uma bica mensal lá vai caminhado para uma convergência lunar com os ricalhaços cá da terra.
Não temos pedalada, porque os governos não têm governado, têm-se governado!
ResponderEliminarPor que razão não somos capaz de aumentar a produção?
Não é de produção que se trata. É de produtividade. Trata-se do valor acrescentado por cada unidade de trabalho, que apenas depende dos governos na medida em que, em última instância, tudo depende dos governos. Mas, tirando as coisas da sua última instância, depende de tecnologia, educação, formação profissional, meio envolvente, também identificado por "custos de contexto", capacidade de gestão, visão empresarial e capacidade empreendedora, se nada me escapou.
ResponderEliminarFalhou o compromisso.
ResponderEliminarQue, em última e derradeira instância, é o que nos falha.
Vê lá quantos compromissos não falham em tudo aquilo que falhou. E continua a falhar.
ResponderEliminarCompromissos de todos, até os nosso de cidadãos com o nosso país :(
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