
Marcelo entrou logo no início da semana em quarentena - e terá até sido o primeiro português a fazê-lo - e fez disso notícia-espectáculo. Chegou ao ponto de divulgar todas as suas rotinas domésticas, que aos portugueses interessam, ou deveriam interessar, zero. É o seu registo, e percebeu-se claramente que estava a dar o pontapé de saída na sua campanha para a reeleição do próximo ano.
Entretanto o país entrou nos últimos dias num período de emergência como nunca antes tinha vivido, com a taxa de propagação da doença a crescer em progressão geométrica, e do Presidente da República ... nada. Apenas silêncio. O silêncio ensurdecedor de quem sempre fala sobre tudo, de quem sobre tudo tem sempre tudo a dizer... Mas sem nada para dizer na maior crise do seu mandato!
Acusamos frequentemente os políticos de não primarem pelo exemplo, que caricaturamos pelo "façam o que eu digo, não façam o faço". Admitamos que o sexto sentido político de Marcelo o atirou para aí: não diz nada, para que não façam o que diz, mas o que faz. Quietinhos em casa!
E isso é bem capaz de ser o que de mais importante haja nesta altura para dizer. Só que tem um problema: é muito à frente e os portugueses terão alguma dificuldade em acompanhar!
Eu acompanho bem, acho até que há gente demais a falar, é chocante que desde autarcas até bastonarios todos queiram o seu quinhão de protagonismo.Em tempos de crise mais importante que falar é agir.
ResponderEliminarPodia aproveitar a pausa nos afectos e declarar estado de emergência. Cada dia que espera são semanas perdidas.
ResponderEliminarSei do fascínio de muita gente por todas as formas de exacerbação de poder. Também sei que há muita gente fascinada pela forma como as ditaduras respondem a este tipo de crises. Não sei bem é o que é que se ganha com tal declaração.
ResponderEliminarOra aí está - "mais importante que falar é agir".
ResponderEliminarO estado de emergência existe na lei. Você acha que este não é um caso excepcional?
ResponderEliminarHá países na Europa que fecharam fronteiras. Creio que não deixam de ser democracias. Já se havia restringido fortemente a mobilidade por via aérea. Talvez mais tarde do que a OMS aconselhou, estão a tomar-se as medidas preconizadas. Quantos mortos extra custou a indecisão política? Saberemos no fim.
ResponderEliminarCerto é que os vírus não nascem debaixo das pedras, e viagens aéreas e o turismo são um vector de transmissão rápido. Talvez o turismo seja uma pandemia em si mesmo.
Tem seguido as actualizações da OMS? Eu tenho. Fora da China começou tudo por casos importados. Inexoravelmente os boletins foram mudando para contágio local.
Não há maneiras políticas de lidar com epidemias - há maneiras certas e erradas. Pelo que se está a ver em Itália, Espanha, e cá, a política só conseguiu piorar a situação. Deixaram fechar a janela de contenção. Agora tomam-se medidas duras, e como já chegam tarde talvez tenham de endurecer ainda mais. E mais gente vai sofrer.
E você chama-me o quê, fascista?
Enviei um link. Faça favor de ler.
ResponderEliminarNão é alarmista, é alarmante. Já tinha a noção da desgraça por um canal de matemática que sigo ( 3blue1brown ).
Os infectados estão a duplicar em Portugal a cada 2 dias. 40 000 no final do mês e não pára aí. O que acha que vai acontecer?
80 000 a 2 de Abril
160 000 a 4 de Abril
Repito: o que acha que vai acontecer?
Eu não lhe chamei coisa nenhuma. Apenas me referi à declaração do estado de emergência, dizendo que não sei o que se ganha com isso neste combate. E não sei, tenho muitas dúvidas, e em tese parece-me que se perde mais do que se ganha.
ResponderEliminarEu não minimizo riscos nenhuns, como me parece que tenho deixado claro em tudo o que tenho escrito. Mas, sim. Vi o seu link e, veja bem, chamou-me até a atenção que em dada altura sejam mais os recuperados que os infectados... É notável, nessa "Matemática" há gente recuperada que nunca foi infectada.
ResponderEliminarNuma dada altura em que o número de novas infeções decline, haverá mais recuperados que novos infectados - você lembra-me o advogado da minha ex, que somou o que eu tinha ao que eu devia e exigiu metade desse valor.
ResponderEliminarVeja o 3blue1brown, é mais elucidativo, mostra como pequenas variações iniciais na taxa de propagação, de mortalidade, no tempo de resposta, etc., causam grandes variações finais. Além disso é um bom canal de matemática. Cuide-se.
"Numa dada altura", obviamente. Em números absolutos, que foi o que vi num gráfico que lá está, é "matematicamente" impossível.
ResponderEliminarAh, mas o gráfico não é de números absolutos, cada linha representa a evolução de cada compartimento. Como pode ver, de início toda a população é susceptível, mas o valor de recuperados não volta aos 100%. Quanto à forma das curvas, só no final é que se vai saber - este gráfico não é do Coronavírus, é um modelo geral.
ResponderEliminarO que há a reter é que até certo ponto não há diferença entre a curva exponencial e a curva logística. O ponto de diferenciação acontece quando o número de casos novos é, sustentadamente, igual ao do período anterior considerado. Aí pára o crescimento exponencial - o aumento de infectados continua, mas já não é exponencial.
Ainda hoje no Observador está um artigo, “porque não acredito no crescimento exponencial”. Como se a matemática fosse subjectiva. É claro que há crescimentos exponenciais, não é isso que está em causa. O que está em causa é quando é que este deixa se ser exponencial. Este tipo de informação não ajuda, porque óbviamente os portugueses e a matemática não se entendem. A mim custa-me a crer que tive de lhe explicar a ler um gráfico. E não sei se ficou convencido, mas olhe que a ler assim ao molho, no final da crise acabávamos quase com o dobro da população.