
Hoje só não é um novo dia D para a Europa porque - todos o sabemos - nada hoje ficará decidido no aguardado Conselho Europeu. Mas será o princípio do dia D, daqui sairá a resposta da União à depressão económica mundial em curso e, dessa resposta, a sentença do seu futuro. A bazuca ou a fisga - nas palavras do primeiro-ministro - para combater as crises sanitária, económica e social em que o coronavírus nos fez mergulhar.
A retórica a que temos assistido nos últimos dias aponta para a bazuca. As palavras da Srª Merkel, de voz própria, e as da Srª Van der Leyen, fazem-nos acreditar que desta vez será diferente. Mas também sabemos que são retórica, e que o governo holandês só persiste na fisga porque está apoiado pelas instituições alemãs. Sabemos que é a Alemanha a desviar-se para o lado e a mandar a Holanda para a frente.
Mesmo que a retórica aponte para a bazuca ninguém sabe do que na realidade se trata. Não se sabe do seu poder de fogo, quer dizer, do número de zeros que transporta, nem da forma de a transportar. Se tiver pouco poder fogo não deixa de ser fisga na mesma. Se tiver a capacidade de um míssil resolve muita coisa, mas fica em aberto o destino e o transporte até esse destino. Os zeros têm de ser bem distribuídos por quem mais precisa, e esses são sempre os mais pobres. Os mesmos de sempre. E como esses são também os mais endividados, se esses zeros lhes chegarem em cima de dívida, ajudam. Mas dificultam logo a seguir.
Só sabemos que, muitos zeros, os onze de Mário Centeno, a fundo perdido, é coisa que não existe. Não sabemos mais nada. Nem nós nem António Costa, que está à espera disso para responder à questão da austeridade, que os profetas da desgraça insistem em transformar no alfa e no ómega da actualidade política.
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