As vagas de desinformação e populismo não param. Sucedem-se umas atrás das outras ao ritmo das marés vivas nas praias que não podemos pisar.
A última vaga foi a do aumento dos funcionários públicos. Não importa se foi um aumento de 0,3%, qualquer coisa como 3 a 4 euros no ordenado, em média. Depois de anos de cortes salariais. Isso não importa mas, acima de tudo, não importa mesmo nada que se trate simplesmente de uma consequência da entrada em vigor do Orçamento de Estado para este ano, superavitário e produzido e aprovado quando não havia bola de cristal que permitisse vislumbrar as circunstâncias que vivemos.
Em vez de oops - este aumento é tão bom, não era? - ouviu-se a palavra mágica da desinformação, da demagogia e do populismo: vergonha! Desta vez até Rui Rio cedeu.
Hoje ou tudo é uma vergonha, ou tudo se resume na sua expressão mais simples a uma vergonha. Não é preciso saber nada de coisa nenhuma. É uma vergonha e ponto final.
De tal forma que, por vergonha, não digo que é uma vergonha que o Ministério da Saúde tenha permitido que os seus profissionais tenham os únicos a ficar privados dos seus 3 ou 4 euros deste mês. Logo eles, médicos e enfermeiros hoje por hoje a tropa de elite do país que a nação aplaude... Mas digo que é mais um tiro no pé do Ministério de Marta Temido!
As figueiras daqui estão nuas. Pensava ser pelo tempo ainda invernoso, mas talvez seja questão de moda roupa interior...
ResponderEliminarOntem falei disso, quase uma parábola sobre do populismo. E hoje continuei - é como a Hidra de Lerna :(
Onde estava o Sr. Rio, quando o Passos Coelho me cortou uma fatia da minha reforma ?
ResponderEliminarNão há pachorra para estes merdosos...
A questão não é a justiça ou o valor do aumento. É a mensagem, a carga simbólica de tal aumento. Falar em aumentos na função pública quando os seus funcionários, ao contrário da maioria dos portugueses, estão a receber na íntegra o seu vencimento, na certeza de quando isto passar o seu emprego está assegurado, é uma tontice, quando se fala na necessidade de entreajuda e sacrifício colectivo. Estando previsto um défice a rondar os 10%, e considerando que tais aumentos representam, grosso modo, um aumento da despesa pública de centenas de milhões de euros /ano, é absurdo não se ter previsto que tal decisão, neste momento e nesta altura (como referiu Rui Rio) é promover a divisão da comunidade e criar, desnecessariamente, fracturas na sociedade, entre quem é aumentado, mantendo por lei o emprego, e quem o perde.
ResponderEliminarSobre a importância do valor simbólico dou como exemplo um aperto de mão. Do ponto de vista do Real apertar a mão é pressionar com a nossa a mão de outro. Do ponto de vista do simbólico é muito mais do que isso. É um manifesto de confiança.
E depois aquela dos funcionários públicos do SNS ficarem de fora mais a desculpa costumeira do Sistema. Fosse isso no tempo de Passos/PSD e o que não se ouviria por aí.
Entretanto se me é permitido, deixo aqui um agradecimento ao Dr. Costa pela descida do IVA para máscaras e gel.
ResponderEliminarSó que comprei ainda hoje uma máscara por pouco mais de 1 euro e feitas as contas. a esmola que me querem dar nem sequer chega para uma triste bica.
Assim sendo, pode guardar a parte que me tocaria para benefício das contas do contabilista Centeno.
A vaselina e outros remédios que não fazem doer tanto vão ficando .a aleijar.