quinta-feira, 18 de junho de 2020

Parolice e irresponsabilidade*

Expresso | Marcelo não quer público nos jogos da Champions


Não sei, ainda não consegui perceber, se estamos cada vez mais perto de uma segunda vaga da covid, ou se, simplesmente, o vírus continua apenas a fazer o seu percurso, nunca interrompido.


Depois de semanas a crescer na grande Lisboa, em ambientes de degradação e precariedade, surgiram novos surtos noutras zonas do país, mas também com outro enquadramento. No Algarve, em Lagos, com origem numa festa clandestina. No IPO, em Lisboa. E em novos estabelecimentos para idosos, noutras zonas do país, entre as quais a nossa, aqui em Aljubarrota.  


Há países onde isso se distingue claramente, e outros onde nem sequer se pode falar de segunda vaga no ressurgimento do vírus. Na China, por exemplo, tudo parece apontar para o surgimento de uma segunda vaga, desta vez e ao que parece, prontamente enfrentada. Na Alemanha o recrudescimento em curso está identificado em unidades de tratamento industrial de carnes, em trabalhadores do leste europeu de manifesta precariedade socioeconómica. Já na Nova Zelândia, semanas depois da irradicação do vírus, a fantástica primeira-ministra Jacinda Ardem teve de voltar a fechar o país, perante o surgimento de umas centenas de novos casos. Mas não é uma segunda vaga, decorre apenas uma falha, de uma quebra nas regras e procedimentos em vigor quando, por razões humanitárias (vinham despedir-se de um familiar às portas da morte), os serviços do aeroporto permitiram a duas cidadãs britânicas, acabadas de chegar, que acedessem ao país antes de conhecidos os resultados dos testes. Estavam infectadas, e espalharam o vírus por onde passaram, atingindo três ou quatro centenas de pessoas.


É por isto, por tudo isto, que tenho alguma dificuldade em compreender a festa pimba e parola que anteontem aconteceu no Palácio de Belém, e que juntou o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente da Câmara de Lisboa e o da Federação Portuguesa de Futebol, não para beberem uns copos mas para, entre entre bacocas trocas de elogios e presunçosas exaltações de méritos, anunciarem a realização dos jogos da Liga dos Campeões em Lisboa. 


A parolice ainda percebo. A irresponsabilidade é que não. De todo!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

22 comentários:

  1. Não foi festa, foi fogueira de vaidades.

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  2. O SARS2 veio para ficar. Não é como as redes sociais que tem 650000 milhões de portugueses a criticar o governo ás 5 da tarde e perto da meia noite sobram 2 protestantes.
    O que mudou foi a forma como a comunicação social dá as notícias. Quando surgiram 300 casos num concelho, no norte, era considerado normal. Eram 24000 pessoas a residir, 300 casos não é nada. Surgiu a AML, quem tem "só", mais de, 3 milhões e meio de residentes, já se avança com "90% de infectados". Depois, há 2315 casos activos em mais de 4 milhões e oitocentos mil potenciais (além da população residente há muitos que trabalham na AML ou que a visitam quer seja para consultas ou para compras ou para passear) já são "milhões de infectados e um faleceu".
    Estranho é não o ver usar a Espanha como exemplo... 9 dias sem noticiar falecimentos, até que actualizaram a semana e surgiram 59 mortos e 162 falecidos com "testes inconclusivos". Na Alemanha e França, aconteceu o mesmo. Reduziram os testes e o número de infectados desapareceu, assim como os falecidos. Cá, aumentou-se o número de testes e o número de infectados tem estabilizado (recuperados tem estado a ser mais do que os novos testes positivos).
    Trazemos para cá uma competição que vai servir para chamar turistas, para 2021, já é um perigo e deviam era abrir as igrejas, para lá irem rezar 200000 pai nosso e 500000 avé maria, para ficarem salvos do vírus...

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  3. É claro como água. A parolice é um dos condimentos essenciais que a política usa para controlar a simpatia dos votantes e obter a benesse da eternizarão no poder. O que é que o país ganha com isso? Nada ou muito pouco, mas os verdadeiros beneficiários, os nossos parolos-mor, ganham tudo. Basta ver as sondagens e os índices de popularidade dos maiores parolos do reino. No friso de parolos do palácio de Belém só faltava o cardeal para dar a benção da santa madre igreja à grande conquista portuguesa (somos os melhores dos melhores do mundo, nas palavras do parolo presidente) e o Nel Monteiro ao vivo a abrilhantar a festa.
    Não se iluda, que nestas coisas os tipos são parolos, mas pouco. Parolos somos nós.

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  4. O senhor está a pedir que se analise friamente a informação para evitar conclusões precipitadas. Exactamente o oposto do que se pretende com este tipo de publicações. Portugal está a pagar o preço de ser transparente nos números, enquanto os parceiros europeus já pensam na recuperação económica possível para este ano. E nada melhor para isso do que começar a vender a imagem de retoma em segurança como estão a fazer nuestros hermanos e afins.

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  5. Essa merda da UEFA pensou que, a ter de sacrificar alguém, que fosse lá para o fim do mundo, em cú de judas, como Portugal, aquela praia de Espanha que fica antes dos USA, do besta do Trump. O tuga aguenta bem com qualquer corona, seja jesus, tecatito ou lá o que for. Cá por mim, que venha lá essa treta da UEFA do Elefantino. Não vou ver jogo nenhum, mas deliraria se, em vez dum médico que sacrificou a sua vida pelos tugas no dia de ontem, vítima dum tal também corona, viessem a bater a bota esses tais mongoloides enunciados no texto vitimados por excesso de covides.

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  6. A parolice da apresentação, com a presença das principais figuras do estado, da poule final da Champions é por demais evidente.

    Já a suposta irresponsabilidade é que me parece uma consideração exagerada. O evento vai ter lugar em Agosto.

    Em relação aos números da pandemia, convém que haja enfoque no essencial, que é o número de internamentos (a baixar ambos no internamento normal e nas UCI) e no número de novos óbitos (vem apresentando números diários róximos da unidade). Isto com o número de testes a aumentar e o número de infectados a manter-se estável.

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  7. António José Sousa Fonseca19 de junho de 2020 às 04:12

    Palhaços sacanas disseram os medicos agradecendo essa oferenda.
    E falta saber o que demos (ou prometemos) à UEFA. Será uma repetição do EURO2004?

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  8. Pedro Gomes
    Agradeço ao autor a importantíssima informação de que a cidade de Lagos, fica no Algarve!
    Muito Obrigado!
    Tá a chegar o mês de agosto, e o sacrossanto nome ALGARVE, vai passar a ocupar cada três palavras em qualquer texto por ...mais minimalista.

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  9. Podia ser na Nigéria, tratando-se de ambas localizações em Africa, convém clarificar

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  10. Você só está a ver o risco de um lado, o de cá. A irresponsabilidade a que me refiro vê o risco do lado de lá. Chegam cá, seja para a bola, seja para a praia e para os copos, que é para isso que foi a festa, à vontadinha. Como se nada se estivesse a passar... E isso não tem outro nome - irresponsabilidade. E brincar com os que cá trabalham e arriscam tudo para salvaguardar a saúde dos outros. Esses a quem o primeiro-ministro teve o desplante de dizer que era um prémio!

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  11. Fogueira onde não ardem. De vaidades, de hipocrisia, de indecência...

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  12. Isto não está para brincadeiras. Nem para missas...

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  13. Não discordo. É mais vendedores da banha da cobra de um lado, e parolos do outro. Dispostos a comprarem-lhes as pomadas todas...

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  14. Então a cidade de Lagos não é lá para a Nigéria?

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  15. Pedro Gomes
    ...mas como é que eu já sabia q a sua resposta era essa: Nigéria -- bom em capitais de países africanos, mau em geografia. A propósito, tem as vacinas e o passaporte em dia para quando anunciar que está no ALGARVE?

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  16. Tram·po·li·nei·ros
    (trampolina + -eiros)
    adjectivo e nome masculino
    Que ou quem engana; que ou quem faz trampolinices.= CALOTEIROS, EMBUSTEIROS, TRAPACEIROS, VELHACOS

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  17. E a irresponsabilidade é contagiosa. Passei há minutos por um barzinho, cheio pelas costuras, de juventude, dessa que é a mais melhor bem preparada de sempre. Parei mesmo para ver a situação. Quem não souber que há uma pandemia, que estamos em estado oficial de calamidade, que há regras e limites, que a economia está ferida de morte, que os maus números recomeçaram a subir, e que há que ter cuidado, nunca iria adivinhar ao olhar aquela parvónia toda junta.
    Máscaras à vista só as do empregado. Abraços, beijinhos, e apertos de mão daqueles elaborados. Dá cá um cigarro, toma lá um cigarro e o isqueiro. O que é que estás a beber, deixa lá provar.
    Eu de máscara, fui à tabacaria, onde só entra um cliente de cada vez, e onde estava um idiota velho, máscara pelo pescoço, tossindo e jogando raspadinhas com vigor. Cá fora uma fila socialmente distante começou a alongar-se atrás de mim. O velho estava com sorte, cinco euros, venha mais uma raspadinha, dez, venham mais outras, e a fila já começa a chegar à esplanada do bar. E é nestas alturas que eu sei que não vamos lá. Nem com Covid nem com nada. Como povo somos uma miséria, económica e moral. Do civismo é melhor não falar.
    É claro que a polícia pode fechar o bar. Há uma esquadra a 50 metros, decerto ouvem a algazarra. É claro que eu podia pegar no velho pelos fundilhos e aventá-lo dali para fora, que já éramos uns 15 para as revistas, para o tabaco, para carregar o cartão. A polícia não passa, o velho não desanda, e no que me diz respeito o velho não pára de tossir e se calhar os polícias pensam o mesmo que eu - se houver ali um com Covid todos já têm, para quê arriscar?
    Tive um colega de trabalho que se feriu num braço. Foi operado, andou de braço ao peito, e quando teve alta o médico disse-lhe que, para recuperar a elasticidade no tendão, devia segurar-se numa barra, num ramo, num muro alto, numa porta, e relaxar as pernas para o peso do corpo obrigar a esticar o tendão - um mês, 10 minutos por dia. Ainda hoje não consegue esticar o braço, nunca fez o que lhe aconselharam.
    A primeira fase do confinamento correu exemplarmente. Foi à força, foi à bruta, e andava tudo com medo. O português só funciona assim, à força, à bruta, com medo. Talvez por isso o Estado Novo tenha durado tanto tempo, e só caíu por estar podre, não por uma revolução pífia e confusa. Talvez, e é triste, como povo estejamos colectivamente prontos para outra ditadura. E é triste.

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  18. Os senhores politicos estao-se borrifando para os portugueses so pensam em se mostrar e depois pedem para termos calma pensando que com o futebol ficamos contentes so basofias pois eles nao ficaram com os ordenados reduzidos com o lay off

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  19. E os parolos desta parolice, ainda não perceberam o filme em que nos meteram.
    Presentes envenenados destes não fazem falta ao País.

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  20. Nem tudo é tanto assim. Mas o que é assim já chega para que tenha razão.

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  21. Eu sei que sou pessimista, mas escrevi isto antes dos ajuntamentos em Carcavelos, em Bragança, no Porto, e mais que se vão sabendo todos os dias. Está tudo parvo e normalmente não seria da minha conta, mas o meu trabalho já levou um tombo, se levar outro cai. O meu e o de muitos.

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