Quando há dois ou três dias se ficou a saber que o Relatório da auditoria da Deloitte ao BES/Novo Banco, tinha sido finalmente entregue, disse aqui que não era ainda público nem se sabia se o viria a ser.
Hoje já se sabe que, por vontade do Banco de Portugal, nunca virá a chegar ao conhecimento público. Nem ao do governo, nem ao dos deputados. Se não for obrigado por ordem judicial, o Banco de Portugal nunca permitirá a sua divulgação para fora do restrito meio dos reguladores e do Fundo de Resolução que, pelo que se vai percebendo das entrevistas do presidente do Novo Banco, é visita da mesma casa.
Já vi escrito que este era apenas o primeiro episódio do capítulo das incompatibilidades apontadas à nomeação de Mário Centeno. Expressei aqui várias vezes, em diversas circunstâncias, que a transferência de Centeno do Ministério das Finanças para o Banco de Portugal não era sequer aceitável, pelo que estou bastante à vontade para contrariar este tese.
Não. Não é por Mário Centeno vir do Ministério das Finanças que o Banco de Portugal não autoriza a divulgação do Relatório. É apenas porque, como o seu antecessor, é governador do Banco de Portugal. E no Banco de Portugal é assim. Não é de agora. O Banco de Portugal sempre recusou a divulgação de todas as anteriores auditorias desde 2014.
A justificação é a mesma de sempre: "sujeito a dever de segredo". A carta de recusa do pedido do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, assinada pelo secretário geral do Banco de Portugal, conclui muito simplesmente que "não se encontrando verificada nenhuma das circunstâncias legalmente previstas que determinam o afastamento do referido dever legal de segredo, o Banco de Portugal encontra‐ se impedido de proceder ao envio".
É sua majestade o segredo bancário. O mesmo que impede a divulgação da lista de devedores. O mesmo que há-de sempre, nalgum ponto, impedir que se siga o rasto do dinheiro. É o que tem que ser... E - como se diz - o que tem que ser tem muita força.
Mário Centeno não faz, nem nunca faria, diferente. Poderá acertar mais nas decisões que tiver de tomar que o seu antecessor. Mas, mesmo que isso já faça muita diferença, é só isso!
Os titulares de cargos importantes não passam de paus para virar tripas com temperos em veneno.
ResponderEliminarAfogam-se no caldeirão que lhe metem à frente, papam de tudo e mandam a consciência às urtigas.
A democracia representativa morreu. Os nossos supostos representantes vivem num mundo tão distante dos eleitores que já não os representam. Limitam-se a usar o cargo para o qual foram eleitos em proveito próprio e de outros poderes.
ResponderEliminarIsto só acontece porque os deputados que não são nossos querem que aconteça.
Bastava uma clausulasinha a dizer que os bancos que recebem dinheiro do estado ficam obrigados a coisas que os bancos que não recebem não são obrigados.
" "sujeito a dever de segredo"" A quem compete alterar isto? Como muitas outras leis corruptas, igualmente aprovadas na AR por deputados corruptos, eleitos por um povo "bovino", estão à espera de alteração.
ResponderEliminarAzar meu, que não devo o suficiente à banca para ser perdoado em segredo.
ResponderEliminarNão morreu, mas está muito doente. E o problema, estando nos representantes, não está apenas nos representantes. Está também nas instituições, e até nos representados.
ResponderEliminarEsforce-se, António. Pode ser que lá chegue...
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