segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Arrasado

Benfica sofre primeira derrota na Liga frente ao Boavista (3-0) e Sporting  assume liderança isolada – Observador


 


Não sei o que mais releva desta hecatombe do Benfica esta noite no Bessa. Se o pior jogo dos últimos sete ou oito anos, se este filantropismo do Benfica, o bom samaritano disponível para dar a mão ao Porto sempre que está caído.


A equipa que iria "jogar o triplo" e arrasar, de milhões treinada por um treinador de milhões, é afinal capaz de fazer muito pior do que aquela que se arrastou pela segunda volta do campeonato anterior.


Posto isto vamos ao jogo em que o treinador do Boavista deu um banho táctico ao mestre da táctica. O Benfica não entrou bem no jogo, mas quando, aos 10 minutos, na primeira vez que passou do meio campo, e Darwin fez um golo de craque - que é - pensou-se que estaríamos perante mais um jogo de altos e baixos, que os altos dariam para ganhar. Só que o golo seria anulado pelo VAR, por fora de jogo, que existiu no início da jogada, antes do jovem uruguaio, que traz esta sina de marcar belos golos que não valem, pintar aquela obra-prima. E portanto nada ficou - nem o golo, nem o primeiro ataque, nem o primeiro remate. Tudo isso surgiria à meia hora, quando já há muito que estava a perder. Menos o golo, porque o remate de Vertonghen acertou direitinho no corpo do Leo Jardim, que só na segunda parte faria duas ou três defesas. Das boas, mas não mais que do essas.


O Boavista, que entrara nitidamente receoso - e tinha razões para isso, já que não tinha ainda ganhado a ninguém e pela frente estava a tal equipa que joga o triplo e arrasa - foi ganhando confiança à medida que ia percebendo que não estava ali ninguém que arrasasse. Defendeu com 11 jogadores atrás da linha da bola, mas nunca lá atrás. Fazia isso em cima da linha do meio campo, e daí para a frente. Nunca para trás.


E a equipa do Benfica nunca se entendeu com aquilo. Via 40 metros de terreno livre à frente mas não fazia a mínima ideia de como lá chegar. Não acertava mais de dois passes, não conseguia passar por qualquer adversário, não consegui romper, nem com bola nem sem ela, e não ganhava qualquer bola dividida. Quando conseguiu alguma coisa disso, marcou. Só que sempre em fora de jogo. No tal golo de Darwin, com o passe de rotura de Waldchemidt, e quando Pizzi ganhou a única bola dividida, no caso com o guarda-redes, e depois marcou. Também sem valer.


Ao intervalo já o Benfica perdia por 0-2. O Boavista marcou na primeira vez que chegara à área do Benfica, na conversão (excelente, do Angel, filho do Gil, a promessa daquela geração de ouro do início dos ano 90, que cedo se perdeu, que joga à bola que se farta) de um penalti cometido pelo Cebolinha como se fosse um juvenil de 14 anos. Os do Boavista é que eram rapaziada nova, mas os do Benfica é que pareciam juvenis. E voltou a marcar vinte minutos depois, numa jogada em que Angel e Elis fizeram gato-sapato de Vertonghen e companhia. O Boavista fez 11 remates, contra um do Benfica!


Era impensável que o jogo se mantivesse nesse registo. O mestre da táctica teria de encontrar forma de inverter aquilo. A única dúvida que se admitia era ser iria a tempo de ainda ganhar o jogo.


Mas ... qual quê?


Fez até três substituições ao intervalo, mas precisava de fazer dez.. Saíram Cebolinha que a única coisa que fez foi o penalti. Gabriel, outra nulidade, e Pizzi, pouco mais que isso. E entraram Weigl, Rafa e Seferovic. Só que o primeiro quarto de hora foi uma cópia do que tinham sido os dois anteriores. Tudo continuou na mesma.


Ainda trocou Gilberto, outra das nulidades, só que este já não surpreende (ninguém consegue compreender esta contratação) por Diogo Gonçalves. E Taarabt por Cervi, que nem um minuto de jogo tinha nas pernas. Mas nada mudou.


Apenas num pequeno período, nem cinco minutos foram, o Benfica conseguiu encostar o adversário à sua baliza. E o Boavista acabou até por chegar ao terceiro, pintando o jogo de goleada.


Claro que o Boavista ganhou bem. Na verdade foi a única equipa que jogou. Jogou quase sempre que conseguiu ter a bola, e teve-a apenas em 30% do jogo. Quando não a tinham matavam o jogo com faltas. Trinta e uma, e muitas ficaram ainda por assinalar. Era habitual no Bessa, mas ainda não se tinha visto neste Boavista desta época. E tudo o árbitro Hugo Miguel permitiu...


Mas nada apaga o descalabro completo desta noite. Talvez não seja preciso que a equipa jogue o triplo do passado. Mas é urgente que jogue 100 vezes mais que hoje!

2 comentários:

  1. Pois... era o que mais faltava não haver dedo (quer dizer... apito ) do árbitro numa derrota do Benfica! O Benfica nunca perde - é simplesmente "roubado" pelos árbitros. Começa elogiando o Boavista, acaba destratando o árbitro.
    Quando será que vão perder limpinho, limpinho, limpinho?!

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  2. A verdade é que este comentador, começou por falar verdade, a seguir se vê o seu benfiquismo ao vir ao de cima, com desculpas de mau pagador, parecendo que tudo o que disse antes, não passou de um acaso, enfim com comentadores? destes, os comentários não passam de ilusão ótica .

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