Os números de que se faz a história da pandemia não param de crescer. A barreira psicológica das duas mil infecções diárias ficou rapidamente para trás. Chegaram aos três mil. E aos quatro. E os seis mil estão já aí.
Já ninguém sabe muito bem o que fazer. Sabe-se que "confinamento nunca mais". Que não pode ser, que não é comportável. Ninguém sabe muito mais, anda tudo às apalpadelas. À procura do meio termo entre uma coisa qualquer e outra coisa. Qualquer que seja.
E venham regras e mais regras, com excepções e mais excepções. Não resolvem nada, mas aumentar a confusão já não é mau. E lá vem o Presidente Marcelo - está em todas, não perde uma - com a bandeira a meia haste para homenagear os mortos. Hoje, que ontem, que era o dia, não se podia. Ou podia. Ou talvez não. Bandeira a meia haste, num tributo às vítimas mortais da pandemia. Não. Içar a "bandeira nacional em dia de luto" e de "homenagem a todos os falecidos, em especial aos que pereceram devido à pandemia".
Do meio da confusão alguma coisa há-de sair. Depois de reunir com o primeiro-ministro, de içar a bandeira, e de homenagear todos os mortos, mas em especial alguns, lá para a hora dos telejornais, do Presidente alguma coisa há-de sair. De novo o estado de emergência. Ou mais confusão ainda.
Uma calamidade em estado de emergência, é o que é.
Sobre essa confissão do presidente não vou repetir o que já disse noutro postal aqui ao lado, até porque faz algum sentido lembrar que as eleições para Belém são já daqui a dois meses.
ResponderEliminarDeixo contudo uma posição trabalhada entre Costa e Marcelo que ouso questionar e classificar como uma incongruência tão disparatada como aflitiva. Estado de emergência preventivo?
Essa figura existe politica, jurídica, laboral e constitucionalmente, e alguma vez teve aplicação prática em qualquer área de atividade?
Ou será que a incompetência, solene ou em bruto, até inventa descaradamente causas e pretextos quando apertada por erros, omissões, ou negligência fatídica que até os tribunais podem abocar ?
Quando muito, pelo que penso saber, perceberia aplicação de medidas preventivas em tempo útil, que são naturalmente acionada em primeiro lugar, de modo a evitar a eventualidade de situações trágicas de emergência, como ultimo recurso, que não se pode compadecer com tibiezas e adoçantes.
O pecado que deve ser imputado sem sofismas é o de que passaram meses a dormir em estado de negação, sem ao menos equacionar uma sucessiva prevenção de riscos bem calibrada no tempo.
Só agora, quando sentem os costados num braseiro é se querem mostrar acordados para a vida.
Sem perdão!