segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Concordo em absoluto que o caso BPN esteja a secundarizar ou mesmo eliminar tudo o que seja relevante discutir nesta campanha, seja no que respeita ao passado, de avaliação do desempenho presidencial do candidato à reeleição, seja no que se projecte no futuro, de avaliação das propostas dos candidatos.


Mas não concordo nada com a tese de que tudo o que tenha a ver com avaliações de carácter não deve caber nesta campanha. O carácter é o primeiro e mais decisivo factor de avaliação da pessoa, de qualquer pessoa, indissociável da avaliação quer do seu desempenho e da sua história quer das suas potenciais capacidades de desempenho futuro.


O que neste caso, ou neste particular do chamado caso BPN, está em causa, não é qualquer relação do negócio de Cavaco com a ruína do BPN. Nem é um negócio particular realizado 6 anos antes do estoiro. Nem a gestão do BPN, antes e depois. Nem o regulador.


Tudo isso é importante! Mas não é, neste particular, o que conta. O que conta, o que está aqui em causa, é que o negócio deve ser esclarecido.


Esta é uma exigência incontornável perante a qual toda a gente assobiou para o lado. O Expresso que, de resto e tanto quanto sei, foi quem trouxe o negócio a público, tentou, aqui há uns anos, obter esse esclarecimento junto de Cavaco Silva. Em vão: Cavaco não deu cavaco! E o Expresso meteu a viola no saco


O assunto apenas regressaria pela mão de Defensor de Moura no debate televisivo com Cavaco Silva. E o que fez a Comunicação Social? Tratou-o como se de um terrorista se tratasse e anunciou aos sete ventos que não era por aí … Que não era pela via do carácter e da honorabilidade de Cavaco que se poderia entrar. Isso era inexpugnável e acima de toda e qualquer suspeita.


E o que fez Cavaco? Pura e simplesmente disse que “era preciso nascer duas vezes para ser mais honesto que ele”!


Mas esclarecer é que nada!


Surge então o debate entre Cavaco e Alegre, na passada semana, dia 30. Foi com evidente medo – sim, medo – que Alegre tocou ao de leve no assunto. Afinal os media já tinham dito de que lado estavam e Alegre não quis correr riscos.


Que fez agora Cavaco? Atacou a gestão CGD do BPN, meteu os pés pelas mãos com os exemplos dos bancos ingleses, e voltou a mandar o pessoal para a Internet!


E a Comunicação Social, que fez agora? Parece-me que também não quis correr riscos…


É a partir deste tiro de aviso e amedrontado que acaba por abrir a caça ao Cavaco. Acredito que por uma razão: porque aos media pareceu que, depois de Alegre ter dado o tiro – já não era um dos candidatos de segunda – se estava perante um caçador e não um aprendiz de terrorista. E, claro, amplificou o tiro a medo de Alegre que, depois disso, e vendo que já não corria qualquer risco, correu a casa a pegar na espingarda e nunca mais parou de atirar.


Evidentemente que abriu a caça a Cavaco. Mas só isso: ele continuará a esquivar-se dos chumbos e será reeleito nas calmas. Nada será esclarecido, a imprensa – especialmente aquela onde os tentáculos do monstro estão, ou chegam mais facilmente – vai branqueando como já se vê por aí, e mais ninguém voltará a tocar no assunto. E alguns (poucos) portugueses continuarão a ter dúvidas sobre um negócio de que apenas sabemos que vendeu acções. Nunca saberemos o que comprou!

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