segunda-feira, 11 de outubro de 2021

A propósito do Nobel de Economia

Nobel da Economia atribuído a três norte-americanos


Os economistas, categoria que por destino e vocação integro, e na qual tenho tentado fazer o melhor que sei e posso, são objecto de muitas das mais sarcásticas expressões qualificativas.


Numa delas "é alguém que ganha dinheiro explicando aos outros como o perderam". Noutra, e talvez a mais emblemática,  "um economista é um especialista que amanhã explicará porque não aconteceu o que ontem disse que aconteceria hoje".


 Vem isto a propósito do Prémio Nobel da Economia deste ano, hoje anunciado. Que - tratando-se de economia, só podia ... - não é um Prémio Nobel. É um prémio instituído pelo Banco Central da Suécia em memória de Alfred Nobel. Segue os mesmos princípios do prémio com o mesmo nome, é atribuído pela mesma Academia Real de Ciências da Suécia, chamam-lhe Prémio Nobel, mas não é Prémio Nobel. É “o Prémio Sveriges Riksbank de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel”!


Mas assim já posso continuar a chamar-lhe prémio Nobel, como toda a gente faz, sem que apareça por aí alguém a desancar. Seja portanto Nobel da Economia, em que a Academia Real de Ciências sueca distinguiu não um, mas três economistas como, de resto, vem sendo hábito. Todos os prémios têm vindo a ser "co-atribuídos", à excepção do da Literatura, para fazer a regra. 


David Card (Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA)  "pelas suas contribuições empíricas para a economia do trabalho" e a dupla Joshua Angrist (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT, Cambridge) e Guido Imbens (Universidade de Stanford) "pelas suas contribuições metodológicas para a análise das relações causais".


Sabemos que, nem que esteja, como está, carregada de Matemática até até deitar fora, a Economia será sempre uma ciência social, e nunca uma ciência exacta. E que as relações de causa e efeito, que são as que realmente respondem às questões levantadas em ciência, não aqui passíveis de teste em laboratório. Porque simplesmente não há laboratório.


Os prémios deste ano enfatizam isto mesmo. De alguma forma premeiam a investigação em economia que, à falta de cão, caça com gato. O resto é mais difícil de explicar e porventura menos interessante de ler.


Não será certamente pelos prémios deste ano que aquelas frases feitas, sempre com piada, deixarão de ser usadas. Mas se ficar a ideia que em Economia nada se faz em laboratório já não é mau.


 

2 comentários:

  1. E esqueceu-se de outras como por exemplo: "quando 2 economistas discutem no mínimo obtemos 3 opiniões diferentes" e "os Economistas foram inventados para dar credibilidade aos Meteorologistas". Também sou "membro do clube" e como diz é bom perceber que alguém percebeu (passe a redundância) que a Economia não se faz em laboratório

    Uma boa semana

    Pedro Cunha

    ResponderEliminar
  2. Sim são muitas, Pedro. Algumas acertadas, e outras até certo ponto justas.
    Boa semana, também para si.

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...