domingo, 3 de outubro de 2021

Há jogos assim. Mas não é uma fatalidade!


Enquanto em Vilnius, na Lituânia, a selecção nacional de futsal se sagrava pela primeira vez campeã do mundo, em Lisboa, na Luz, o Benfica sofria a primeira derrota da época, depois de uma gloriosa quarta-feira europeia, com uma grande exibição, às mãos de uma equipa banal, igual a tantas outras do nosso campeonato, com faltas em cima de faltas, toda a gente a defender dentro da área, e tudo a servir para queimar tempo, que nos últimos anos lhe tem vindo a colocar grandes dificuldades.


Essas eram,  de resto, razões para deixar a equipa em estado de alerta. Alerta que o treinador fez passar para fora, falta saber se a fez passar passar para dentro da equipa. Aí é que era necessária.


Começo por aqui porque a primeira metade da primeira parte deixou a ideia que que não estaria alertada para as dificuldades do jogo. O treinador disse, no fim do jogo, que nesse período o Portimonense não deixou o Benfica jogar. Que vinha muito bem preparado para impedir o Benfica de apresentar o seu futebol, atribuindo o mérito aos treinadores portugueses, os melhores do mundo, como gosta de dizer. 


Não foi isso. Pelo menos não foi isso que vi. O que vi foi, nesse período. um Benfica sem intensidade, sem velocidade e sem rematar. E quando assim é, como está mais que demonstrado, os treinadores portugueses das banais equipas portuguesas, não têm dificuldade em anular o futebol do Benfica de Jorge Jesus.


Não se explicará a derrota do Benfica por isso. Ninguém poderá garantir o Benfica teria ganho o jogo se a equipa tivesse entrado no jogo suficientemente alertada, e colocado em campo os argumentos que a podem diferenciar. O contra factual é isso mesmo, a impossibilidade de demonstrar o que não aconteceu. 


E é também verdade que muitas equipas tidas por bem mais fortes fazem muitas vezes aquilo que se diz "entregar uma parte do jogo ao adversário". E que depois invertem na segunda parte, e acabam por ditar a lei do mais forte. Ao Benfica já aconteceu isso muitas vezes. E a verdade é que hoje até ofereceu apenas metade.


Foi a meio da primeira parte que o Benfica fez o primeiro remate, e com ele a primeira grande oportunidade de golo. Depois, até ao intervalo, mesmo sem atingir grande fulgurância exibicional, jogou para ganhar o jogo. Criou quatro claras oportunidades de golo, todas negadas pelo guarda-redes do Portimonense. Faz parte do jogo, o guarda-redes está lá para defender. Há que contar com isso.


Ao intervalo ficava a ideia que o ritmo tinha sido encontrado, e que era só mantê-lo para a segunda parte. Assim as pernas o permitissem. Sem que ninguém estivesse a fazer uma grande exibição, também só Gilberto tinha estado francamente mal. Fazia - e fez - todo o sentido tirá-lo da equipa, e Jorge Jesus assim fez. Com a surpresa de o substituir por Gil Dias, mas correu bem. O novo lateral direito entrou bem no jogo, e deu outra dinâmica àquele lado direito.


E a segunda parte arrancou bem. Até deu em golo, e tudo parecia entrar na normalidade. Só que Yaremchuk, o marcador, estava em fora de jogo, e o VAR anulou o golo. Não valeu e foi festa falsa. Pensava-se que, se não fora daquela, seria de outra. Era só apertar ainda um pouco mais, até porque o infalível guarda-redes do Portimonense nem tinha ficado muito bem naquela ocasião. Mas não foi assim, e a anulação do golo deu mais ânimo ao adversário que à equipa do Benfica. E ao fim dos primeiros dez minutos já se via que a equipa não estava a apertar mais, e o Portimonense começava a respirar melhor, e a conquistar alguns cantos, mais por erros alheios que por mérito próprio. No último, marcou.


Quem não marca, sofre - a velha lei do futebol. Faltavam 25 minutos para os 90, e não se imaginava ainda que o Benfica perdesse o jogo. E teve ainda mais que oportunidades suficientes para ganhar, incluindo um remate ao poste de Otamendi, já mesmo no fim. Mesmo sem nunca ter chegado ao nível do que tinha sido a última metade da primeira parte.


 Foi tudo com mais coração que cabeça, e as substituições também não ajudaram. A entrada de André Almeida (com Gila Dias a passar para a esquerda) em substituição de Grimaldo não se percebeu. A de Tarabt nunca se percebe, e não seria hoje que surpreenderia. E as de Cebolinha, mas especialmente a de Gonçalo Ramos (saindo Lucas Veríssimo - manter os três centrais durante tanto tempo, naquelas circunstâncias, é difícil de perceber), foram demasiados tardias.


Há jogos assim, em que por mais que se remate, e por mais ocasiões de golo que se criem, a bola não entra. Mas também se sabe que não começar por fazer tudo para marcar o mais cedo possível, ajuda a que haja jogos assim. Não é uma fatalidade que haja jogos assim!


É inglório perder a invencibilidade desta forma. E perder três dos quatro pontos de vantagem nesta altura. Nesta altura, pelo que a equipa vinha a produzir, nesta altura, em que o campeonato vai parar por quase um mês, e nesta altura do calendário, em que ainda não defrontou nenhum dos principais adversários. Ao contrário deles próprios.. 


Foi bonito ver o Estádio da Luz com tanta gente (mesmo que muito longe de cheio) como há muito não era possível. E foi bonito ver os jogadores saírem sob aplausos, embora nunca se tivessem visto as bancadas a puxarem pela equipa como na última quarta-feira. 


 


 


 


 

9 comentários:

  1. "Filomena Teixeira nunca vai desistir de procurar Rui Pedro, que tinha 11 anos..."
    Alguém quer escrever, por aqui, que não queremos esquecer o Rui Pedro?
    É que este acontecimento é mesmo uma fatalidade.
    E a justiça neste país continua na mesma, a somar fatalidades.
    Que se fo#am os políticos.

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  2. O JJ tem de ser mais comedido na sua própria gabarolice de imagem, porque depois "paga caro prá caramba". Não me repugna admitir que o JJ está ao nível dum Mourinho, Gardiola, Jurgen, Pochetino, Sérgio Conceição, Rúben Amorim e outros. Tudo depende dos jogadores de que possam dispor. Mesmo assim há reveses. É o Real que perde, o PSG, o Bayern, etc.
    Portanto, do que o JJ precisa, mesmo já sendo velho, é de chazinho e humildade, coisa que nunca teve. Se há alguém para bater recordes no futebol, eles são o Messi e o Ronaldo. E como se costuma dizer, se cada um bate as suas, o JJ que bata as dele.

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  3. Manuel Antunes
    Como vai sofrer este basófias do J.J.
    Já não lhe basta ter um ego do tamanho do Mundo.
    Agora acrescenta ao seu analfabetismo primário, um pedantismo e arrogância a roçar o patético.
    Haja pachorra para aturar esta figurinha triste.

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  4. JJ alem das gabarolices, nem afinou o Ferrari nem substituiu bem!!!
    SLB4EVER

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  5. Acho que o JJ nem quando for campeão europeu no Benfica deixará de ser criticado. Em Portugal gosta-se de treinadores engraçados, como o Amorim, ou mal educados como o Conceicao. JJ tem sido bem mais comedido quando comparado com a sua primeira passagem pela Luz. O Benfica está a jogar muito mais do que nas 3 épocas anteriores. Consegue ganhar sempre? Parece que não. Mas daí a passar de bestial a besta num jogo…

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  6. Um banho de realidade!? Mas veem aí mais, por exemplo na Campions League.

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