quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Nem nas alegrias podemos sorrir


Antes da bola começar a rolar para este último e decisivo jogo da fase de grupos da Champions, na Luz, com o Dínamo de Kiev, último classificado com apenas um ponto - o tal do empate na Ucrânia, na primeira jornada - as sensações não podiam ser as melhores. Desde logo porque o treinador, acossado como está, e apenas a pensar na sua pele, tinha dado por cumprido os objectivos para esta competição - ter chegado à fase de grupos era tudo o que a sua ambição permitia. Mas também por vermos André Almeida a constituir o trio de centrais, depois do que tinha sido o seu desempenho na passada sexta-feira, no dérbi.


O início do jogo abriria no entanto outras perspectivas. e ameaçava fazer esquecer esses maus sentimentos. Logo aos 30 segundos Yaremchuk surgiu isolado na cara do guarda-redes ucraniano, que conseguiu a defesa mas deixou a bola à mercê de Rafa. Que chutou para a bancada, numa perdida que só não poderemos chamar de escandalosa porque, 7 minutos depois, Tsygankovo, com Lucescu incrédulo, fez igual em condições bem mais favoráveis - sozinho, a três metros da baliza deserta. E Rafa ficou perdoado.


E bem perdoado, pelo que viria a fazer ao longo de toda a primeira. Ele e João Mário, mas também o resto da equipa, que conseguiu uma exibição competente, com bocados de futebol agradável e com o jogo controlado. O primeiro golo surgiu aos 16 minutos, com Yaremchuk a concluir uma boa jogada colectiva, com muito Rafa e  ainda mais João Mário pelo meio. E na assistência. O segundo tardou apenas seis minutos, depois de um recuperação de bola pelo João Mário, aliviada depois por um defesa ucraniano ... para Gilberto, que ainda não tinha recuperado e estava para lá da linha defensiva adversária, para marcar um golo que nem era nada fácil de fazer.


Também em Munique as coisas iam correndo de feição, e o Bayern chegava igualmente ao 2-0 sobre o Barcelona, e as portas do apuramento para os oitavos de final estavam escancaradas. Tudo perfeito - o Benfica jogava bem, fazia a sua parte. E o  Bayern fazia o que era esperado que fizesse - ganhar a este Barcelona que só ganhara ao Dínamo de Kiev.


Só que havia a segunda parte para jogar. E aí voltamos ao Benfica de Jorge Jesus. É pena, mas a verdade é que a segunda parte deu ao jogo o verdadeiro espelho do Benfica que temos. E que continuamos a ter: uma equipa que não consegue jogar um jogo inteiro, e que é capaz do melhor e do pior num só jogo. 


O Dínamo de Kiev dominou por completo durante toda a segunda parte, infligindo mais um banho de bola ao Benfica. Ainda agora está por perceber como não marcou um golo, que teria inevitavelmente mudado tudo.  Voltou a valer-nos Vlachodimos!


É certo que a arbitragem alemã foi ainda pior que o jogo do Benfica, com dois penáltis por assinalar. É verdadeiramente escandaloso que nem o VAR tenha assinalado a mão dentro da área a cortar um cruzamento de Rafa. Naquela altura, o terceiro golo poderia ter mudado o rumo do jogo. Ou não, e apenas ter tornado ainda mais injusto o resultado para os ucranianos!


A equipa nunca se encontrou, não teve bola - a equipa de Lucescu deu por completo a volta às estatísticas do jogo, e terminou com mais de 60% da posse de bola, mais remates, mais cantos ... - nem estratégia que não fosse defender. Os jogadores apenas se encontravam quando se juntavam à frente da sua grande área, onde acabaram por passar a maior parte do tempo. Fora disso era sempre grande a distância que os separava, impossibilitando qualquer tipo de pressão sobre o portador da bola e permitindo ao adversário a construção de jogo ao ritmo de ondas sucessivas. Assistimos durante grande parte deste período ao inimaginável numa equipa de futebol de alta competição - três jogadores na frente a pressionar a saída de bola e, depois, os restantes sete lá atrás, deixando 60 ou 70 metros de terreno livre para os jogadores ucranianos jogarem completamente à vontade.


Depois, as substituições. E o mesmo de sempre - incompreensíveis. Primeiro entrou Everton, para o lugar de Pizzi. E Everton foi Everton... Depois entrou Lázaro, para o lugar de Gilberto, amarelado, esgotado e há muito desastrado, depois do Diogo Gonçalves ter passado o tempo todo em aquecimento. E, sem bola, sem capacidade de a segurar e fazer circular, trocou João Mário por Tarrabt e Yaremchuk  por Darwin. Não está em causa que os substituídos pudessem estar esgotados, o que é incompreensível é trocar dois dos que melhor seguram a bola, cada um na sua função, por jogadores que mais a perdem. Jorge Jesus só percebeu isso quando fez entrar o miúdo, Paulo Bernardo, para o lugar de Rafa. E como se notou logo!


Salvou-se o resultado. O da Luz e o da Allianz Arena, que ainda subira para 3-0. E o - é verdade - à partida inesperado apuramento para prosseguir na Champions. Mas este Benfica de Jorge Jesus nem nas alegrias nos deixa sorrir!


 


  

14 comentários:

  1. Uma segunda parte assustadora, este Benfica parece aqueles bêbados que vão para casa aos tropeções, depois de uma noitada e tanto podem chegar sãos e salvos, ou serem atropelados pelo caminho... Obviamente que enquanto treinador JJ é o principal responsável pela forma como este Benfica (não) joga, mas não é o único. Parece faltar por vezes a alguns jogadores, fibra, raça e querer. Não se pode culpar JJ por Seferovic ter falhado escandalosamente em Nou Camp um golo que nos daria uma vitória histórica, nem por hoje Rafa ter chutado para a bancada, uma bola que tinha tudo para acabar no fundo das redes...
    E PLURIBUS UNUM!

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  2. Transformar JJ numa espécie de Pál Csernai é completamente contraproducente.
    E Pluribus Unum.

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  3. This blog was really helpful for me. I really love the way how precisely you everything thing. Thank you so much.

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  4. Apesar de tudo podemos ser campeões europeus.
    Temos jogadores e acima de tudo treinador com competência para concretizar este sonho.
    É tudo uma questão de acreditar.

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  5. O quê? Tu "acarditas"? És mesmo lampião.

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  6. Meu caro, só se for na Youth League, otimismo em excesso é apenas irrealismo. Ao contrário daquilo que alguns teimam em dizer, o plantel do Benfica é desequilibrado e deficitário em termos de qualidade.Neste momento o futebol do Benfica está ancorado na inspiração de Vlachodimos, na raça de Otamendi, na experiência e serenidade de Vertonghen, no talento de Grimaldo, nas cavalgadas de Darwin e nos rasgos de Rafa, se bem que neste caso, por cada lance proficuo, Rafa perde a bola 10 vezes, de forma comprometedora, e sem saber como se posicionar defensivamente.Quanto ao resto, Gilberto tem muita vontade, mas pouca habilidade, a bola atrapalha-o tanto que nem parece brasileiro, André Almeida, Pizzi e Taarabt estão mais perto do Sport Lisboa e Saudade do que de terem a frescura necessária para competir ao mais alto nivel, Weigl não preenche nem metade do meio campo, o que ele faz também Florentino fazia, João Mário, rodopia mais do que devia, é bom com a bola no pé, mas o futebol de hoje joga-se mais de pé para pé, Everton ou foi um erro de casting, como tudo indica, ou então é o treinador que em vez de o tentar desinibir ainda o inibe mais...Enfim, resta-me acreditar que Rui Costa tenha a capacidade de construir um novo projeto alicerçado na competencia e no talento que há no Seixal.

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  7. o jj ja enoja a falar na conferencia da emprensa..fanfarrao,arrogante,asneiras ..que nem agradeceu ao ODISSEIAS de livrar-se de uma goleada..pena que ele so vai sair no final do campeonato ..aquela palhacada no banco foi uma vergonha ..benfiquistas sentem que a maioria dos jogadores do BENFICA.nao estao contentes com aquele burro ..se nao venceram os dois com o porto ..os adeptos vao cuidar dele..BENFICA SEMPRE...

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  8. O JJ no Benfica é um cêpo, tal como foi no passado. Sempre foi. Mesmo no Sporting e no Fluminense foi um grandessíssimo cêpo. Ser campeão com os melhores não é capacidade do treinador, é obrigação. Por isso é que o JJ nunca será treinador do Porto, apesar de tanto ele como o Pinto da Costa alegarem ser grandes amigos... É que o Pinto percebe do assunto. Agora vão andar todos atrás do Rúben Amorim, porque é a coqueluche do momento. Mas será que têm unhas para o levar?

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  9. O Sérgio Conceição, esse andrade, foi castigado por causa do jogo com o B-SAD do ano passado e vai falhar os jogos contra o glorioso e contra o braga. Já estou a gostar mais disto. Só não percebo é como o glorioso não conseguiu castigar o Amorim e gramar com aquelas 3 batatas.

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  10. Os ultras do Kiev são uns tipos espertos, queriam um sitio para pernoitar, sem terem que pagar a hospedagem.

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  11. Uns ignorantes é o que eles são. Foram as mulheres que os aconselharam para andarem à batatada, a fim de irem parar ao SEF e depois arranjar-se umas indemnizações chorudas. Tuga não é assim. Morre na estrada e a mulher, se quiser sobreviver vai ter de ir para a "estrada".

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  12. Campeões europeus???
    Com este treinador só na playstation, como o próprio assume. O Benfica é um Ferrari com um piloto de karts ao volante,,,,,gosta do rugido do motor mas não passa da 3ª mudança

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  13. Longe de mim considerar que o Benfica anda a jogar consistentemente porque não anda. Mas também gostava de perguntar quando foi a última vez que o Benfica teve uma equipa competitiva desde a época da Rui Vitória com o Renato Sanches? Não me lembro de nenhuma desde que o Renato saíu. Nem quando o João Félix se revelou o Benfica teve bons resultados na europa. É certo que este Benfica nos deixa com o coração acelerado devido à instabilidade mas é o que está a ter melhores resultados desde há muito tempo. É certo também que investiu muitos milhões mas ...

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  14. No ano passado não ganhámos nada por causa do Covid..
    Mas este ano vamos ganhar tudo.
    O JJ é o melhor treinador do mundo e acima de tudo muito humilde.
    Finalmente temos um Presidente que não é vigarista, e tem muita experiência em futebol.

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