terça-feira, 1 de março de 2022

Previsíveis e imprevisíveis

Conselho de Segurança da ONU: você sabe como funciona?


 


A guerra que está a mudar o mundo, e que prossegue no seu sexto dia, depois do arremedo de negociações de ontem - que não deu em nada, como seria de prever - confirma tudo o que se sabe das guerras: sabe-se como começam, mas nunca se sabe como acabam.

 

É previsível que não deixe nada na mesma, imprevisível é o que ficará de diferente!

 

Zelensky, o já heroico Presidente Ucrânia, numa emocionante intervenção (à distância) no Parlamento Europeu, reclamou adesão imediata à União Europeia. Nas actuais circunstâncias não há, evidentemente, como negar-lha. Outra coisa é concretizá-la. E a Geórgia e a Moldávia, mais dois vizinhos da Rússia, não perderam a oportunidade de igualmente a reclamar. 

 

A União Europeia não ficará evidentemente na mesma, mas também já nunca ficaria, mesmo sem essa previsível nova onda de adesões!

 

Na ONU, na Conferência de desarmamento hoje reunida em Genebra, a participação do ministro dos negócios estrangeiros da Rússia através de uma gravação - se outras razões não houvesse a proibição imposta aos aviões russos de sobrevoar o espaço da União Europeia impedia-lhe a presença física - foi boicotada. Na altura em que a intervenção gravada por Lavrov surgiu no ecrã - para reafirmar o chorrilho de mentiras que constituem a tese de Putin - a sala ficou praticamente vazia.

 

E o porta-voz do primeiro-ministro britânico anunciou que está em cima da mesa a expulsão da Rússia de membro permanente do Conselho de Segurança. Ninguém sabe como isso poderá acontecer, talvez Boris Johnson tenha alguma ideia… Sabe-se é que o estatuto de membro permanente daquele órgão é um problema que, não sendo de hoje, entra hoje pelos olhos dentro do mundo.

 

Até agora os membros permanentes do Conselho Permanente, as potências vitoriosas da II Guerra Mundial, estando sempre presentes, e com interesses próprios, em todas as guerras, faziam-no à mão escondida. Utilizavam o seu direito de veto em favor dos seus interesses em cada conflito, mas a coisa passava. No fim, nunca era o seu próprio nome que estava em causa na Resolução ou na Declaração, e isso bastava para fazer de conta que não havia problema nenhum. Agora, não!

 

É a Rússia a fazer a guerra directamente e sem intermediários. E a usar o seu direito de veto para impedir que este órgão cumpra o seu próprio objecto de zelar pela manutenção da paz e da segurança internacional. Para impedir que o único órgão do sistema internacional capaz de adoptar decisões obrigatórias para todos os membros da ONU, incluindo a autorização de uma intervenção militar para garantir a execução de suas resoluções, possa funcionar.

 

Se o mundo tinha a noção que a ONU já não servia para muito, agora fica a certeza que não serve para nada. E quando assim é previsível nada pode ficar na mesma. Imprevisível, também aqui, é o que ficará de diferente!

 

4 comentários:

  1. Boa noite, Eduardo Louro
    "De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Gente atónita é chamada à realidade
    De um mundo que de sereno nada tem.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Lamentamos que mais uma vez
    Seja a morte a anunciar a alvorada.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Lamentamos que falsos relâmpagos
    Que, soltos do solo, ofusquem as estrelas.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Voltamos a um velho pesadelo
    De despertarmos com a música da metralha.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Assistimos a marchas fantasmas
    De gente genuína à procura do nada.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Do céu noturno chove abruptamente
    A morte, ao ribombar dos canhões.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Sem sabermos o onde, nem o por quê,
    O fedor da pólvora, abafa o doce aroma da terra.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    A gente simples é levada a acreditar
    Que estas são explosões únicas de pessoas loucas.

    De tempos a tempos,
    Malditos tempos,
    Os poderosos convencem os simples que “esta”
    Não é mais uma conta no rosário da Exploração."

    Zé Onofre

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  2. Fique o que ficar, haverá que acautelar o recente pedido de adesão urgente à União Europeia, como explano em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2022/03/a-ucrania-e-adesao-ue-o-tiro-no-pe.html, que convido a visitar e a comentar.

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  3. Bom dia, Zé Onofre.
    A seguir a tempos, tempos vêm.
    Que, de tempos a tempos, malditos tempos possam trazer benditos tempos.

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