
"A cantiga é uma arma" ... - escreveu e cantou o saudoso Zé Mário Branco. Ele próprio, e muitos outros, pelos vários cantos do mundo, já o tinham feito sentir ainda antes de ter sido escrito e cantado.
Numa das passagens menos batidas da canção, que não faz parte do refrão, o próprio Zé Mário Branco dá a receita para fazer da cantiga uma arma:
"Uma arma eficiente
Fabricada com cuidado
Deve ter um mecanismo
Bem perfeito e oleado
E o canto com uma arma
Tem que ser bem fabricado"
A Ucrânia não precisou sequer de usar a receita. Sabia-se que no actual contexto a Ucrânia ganharia sempre o Festival da Eurovisão, fosse qual fosse a canção que apresentasse. O mecanismo não era perfeito, nem bem fabricado. Nem precisava de ser...
Três meses de resistência épica à invasão russa fizeram de uma cantiga sofrível e pouco interessante, uma arma que conta. E nesta altura todas as armas contam!
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