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Houve Taça na Mata!
Não "aconteceu Taça" porque a equipa da casa foi eliminada, nos penáltis. Mas houve Taça. E festa, a festa do futebol que só a Taça sabe fazer.
Quando acontecem destas coisas, quando o grande não consegue vencer o pequeno, é normal começar a desfilar os erros, as fraquezas e até o querer do grande. O Benfica não jogou bem, é certo. A maioria dos jogadores esteve muito longe dos mínimos que lhe são exigíveis. Mas, hoje, mais do que isso, e antes disso, tem que se começar pelo pequeno.
Que foi grande. O Caldas foi grande em tudo, nesta partida que marcou o arranque do Benfica nesta Taça. Disputou o jogo de princípio a fim, discutiu-o em todos os metros quadrados do relvado, novinho. A estrear. Sem autocarros, sem anti-jogo, sem truques. Tudo limpinho, jogando apenas o jogo pelo jogo. E não apenas porque os jogadores quiseram mais que os adversários como, não sendo aceitável, acaba sempre por ser normal, nestes jogos. Foi mesmo tacticamente superior em muitos períodos dos 120 minutos que jogo durou.
O Caldas deu uma lição à maioria das equipas da primeira liga. Mostrou-lhes que o futebol pode sempre jogado na perspectiva de valorizar o espectáculo. E com respeito pelo jogo. E pelo público, que paga o bilhete. E pelo adversário!
Dito isto, vamos ao resto. E ás incidências do jogo.
Depois de mais uma brilhante exibição na Champions, de novo com o PSG, desta vez em Paris, o Benfica corria riscos descompressão competitiva e mental, que nestas circunstâncias são comuns. Roger Schemidt fez aquilo que é também comum, nessas circunstâncias: alertou para as dificuldades, salientou que o desempenho do Benfica na Taça ao longo deste século está longe de brilhante, e fez alterações na equipa. Mas não muitas, para não dar a ideia que desvalorizava o jogo, e o adversário. Fê-lo numa perspectiva de gestão da utilização dos jogadores, e aqui o mais relevante, para garantir níveis de motivação dos jogadores. Em princípio, jogadores menos utilizados, têm a obrigação de mostrar que têm condições para o serem mais.
Fez cinco alterações na equipa inicial relativamente à que jogara em Paris na passado terça-feira, mesmo que em boa verdade poucas se enquadrassem no espírito da mobilização do querer. Helton Leite, em vez de Vlachodimos, cabe na velha lei da rotação de guarda-redes nas competições secundárias. Draxler, em vez de Rafa, é mais uma tentativa de dar competição ao internacional alemão, à espera do seu regresso ao nível que o celebrizou, cada vez mais adiado, deve dizer-se. Sobraram Brooks em vez de Otamendi, Gilberto, em vez de Bah, para quem, cada vez mais, está a perder o lugar, e Rodrigo Pinho, em vez de Gonçalo Ramos. Mas que também não cumpriram as expectativas.
E a rotação que tão bem tinha corrido no jogo com o Rio Ave, desta vez não funcionou. E quando meia equipa não funciona, a outra metade tem mais dificuldades.
O Caldas entrou com vontade, mas receoso. Bastou pouco tempo - o tempo para que o Benfica mostrasse que as poucas boas jogadas que ensaiava terminavam em desacerto - para que perdesse o medo, e começasse a jogar à bola. Fez até o primeiro remate do jogo, e criou a primeira grande sensação de golo, já perto do intervalo, naquele remate que Helton Leite defendeu para o poste. Para evitar o canto, certamente!
Ao intervalo, o que se poderia dizer era que o Caldas não ficava nada a dever ao empate.
Para a segunda parte entraram Diogo Gonçalves e Musa para os lugares do inoperante Rodrigo Pinho, e do amarelado Florentino. O croata mexeu com o jogo, e fez rapidamente, e com indiscutível mérito pessoal, o golo. Um belo golo, então já justificado. Só que, depois, entusiasmado, quis o pote só para ele. E desatou a desperdiçar jogadas de golo que poderiam ter resolvido o resultado.
Não resolveram, e o Caldas voltou a mostrar que não tinha medo, e que estava ali para continuar a discutir o jogo. O resultado, seria outra questão. Uma questão resolvida pela velha máxima "quem não marca sofre" e pela defesa do Benfica. Digo bem, não foi apenas pelo miúdo. Logo a seguir a Grimaldo ter rematado ao poste, numa troca de bola lá atrás, Brooks (por que é que um jogador tão grande precisa sempre de se empoleirar nos adversários para disputar as bolas altas?) passou-a a saltitar, o António Silva não a conseguiu dominar, o Gonçalo Barradas percebeu, atacou a bola, encontrou pela frente um Helton Leite de pernas abertas e levou a Mata à loucura.
Faltava um quarto de hora. E então sim, o Caldas teve finalmente de se defender lá atrás. Nesse quarto de hora, e no primeiro do prolongamento, o Benfica voltou a a criar, e a desperdiçar mais uma série de oportunidades de golo. A última acabou na barra do brilhante guarda-redes caldense, a remate de Enzo, já perto do final da primeira parte do prolongamento.
E quando se pensava que os jogadores do Caldas já não se aguentariam de pé, a surpresa não poderia ser maior ao vê-los discutir os 15 minutos da segunda parte do prolongamento exactamente como tinham feito em boa parte dos 90 minutos. E a levarem a decisão para os penáltis onde - admitia-se - a motivação dos seus jogadores, e em especial a do seu guarda-redes, e a frustração dos do Benfica, poderia fazer a diferença.
Acabou por não fazer. O Caldas falharia o primeiro penálti. E só não falharia o segundo porque o Helton Leite - um verdadeiro pesadelo - depois de o defender, mandou a bola para dentro da baliza. Enquanto o Benfica, depois de falhar tantos golos, não falhou nenhum. E lá continua sem qualquer derrota na época. Como o Caldas, de resto!
Espera-se sempre que estes jogos sirvam de lição. Pois que sirva. E, já que se livraram desta, vejam lá se ganham esta Taça. Já é tempo!
Roger Schmidt bem alertou para a dificuldade destes jogos, mesmo sem saber que ia jogar na mata, contra um adversário que conta com um Tarzan nas suas fileiras…Mas foi um Benfica demasiado descontraído aquele que entrou em campo, ainda a digerir restos de escargots e Möet & Chandon.Aproveitou a rapaziada do Caldas, movida a pilhas Duracell e com um guarda-redes que devia ter um íman escondido nas luvas, pois todas as bolas lhe iam parar às mãos.O Benfica fez contra um adversário essencialmente constituído por amadores, uma exibição paupérrima, não jogaram uma peça de artesanato das Caldas, como se diz na gíria.Mas no final ganharam todos…O Caldas tem um relvado novo, os seus jogadores fizeram o jogo de uma vida, o público que foi ao estádio, pagou bilhete simples e teve direito a tudo incluído e o Benfica, mesmo que ruborizado, da cor das camisolas,lá passou a eliminatória…
ResponderEliminarE Pluribus Unum
Este Leite é bastante "azedo" e lembrei-me do Esferovite ontem ao ver tanta asneira na finalização(até ele tinha feito um bis ontem).
ResponderEliminarUma nota final para António Silva, tem apenas 18 anos e não é por ter falhado que deixa de ser um golden boy…Os idiotas que o querem crucificar, quando tinham a idade dele,nem sequer sabiam o que era ter uma profissão .
ResponderEliminarE Pluribus Unum
Não devemos crucificar nem inocentar o António Silva! Mas descrever assim o golo ("Brooks ...passou-a a saltitar, o António Silva não a conseguiu dominar, o Gonçalo Barradas percebeu, atacou a bola, encontrou pela frente um Helton Leite de pernas abertas...") parece-me que inocenta o culpado.
ResponderEliminarMais tarde ou mais cedo todos falham…Beckenbauer e Humberto Coelho também falharam, só que no futebol as falhas defensivas são sempre mais penalizadas que as falhas ofensivas.
ResponderEliminarA mata encantada foi teatro dos sonhos para o Caldas e campo dos sacrifícios para o Benfica.
ResponderEliminarmusa ,pinho. chiquinho e dexler e menos um jogador em campo ? na sao jogadores para o BENFICA .jogadores da B tem alguns melhores do que esses ? espero que o treinador que os troque para poderam evoluir que bem merecam...BENFICA SEMPRE..
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