domingo, 20 de novembro de 2022

Desempenho individual pior que o colectivo?


Há mundial, mas o Benfica continua a jogar. Agora na Taça da Liga. E a ganhar, para não perder o hábito. 


Há hábitos que dão muito trabalho. Ganhar é dos que dão mais. Jogar o "qb" para ganhar, como hoje fez esta equipa do Benfica, em Leiria, casa emprestada do Estrela da Amadora, pode não bastar. O quanto baste nem sempre basta, e hoje poderia mesmo não ter bastado.


Com seis jogadores no Catar, esperava-se uma equipa cheia de caras novas. Mesmo que velhas, porque as novas, dos novos, estão na selecção de "sub 21". E também indisponíveis. 


Não foi assim, e Roger Schemidt apresentou um "onze" cheio de caras conhecidas. Apenas nos lugares de António Silva e Otamendi, estiveram caras menos habituais - João Vítor e Brooks (que nem foram lá muito bonitas de ver!). No resto, Gilberto, Chiquinho, Diogo Gonçalves e Musa, que são caras habituais, nas suas caras habituais. Excepto Chiquinho, a quem Schemidt quis dar a de Enzo.


Com estas caras, o Benfica quis ter a mesma cara de jogo. Essa é inegociável, e muito bem. Mas há diferenças. As caras fazem a diferença. E grande!


Por isso o habitual futebol do Benfica só apareceu em salpicos. Apareceu de vez em quando e, quando conseguiu aparecer, fez a diferença. Só que, quando fez a diferença, não a aproveitou. Por imperícia na finalização, numa série de vezes, pela tal coisa da sorte e do azar, noutras, ou pela competência defensiva da equipa da Amadora, onde se inclui o guarda-redes. Que à sua conta negou dois ou três golos. Tantos quantos os seus colegas, às vezes em cima da linha de golo (numa delas com quatro jogadores dentro da baliza).


Tivesse o Benfica aproveitado metade das oportunidades de golo que criou nos momentos em que conseguiu atingir o seu habitual futebol e o  "qb" que jogou teria sido mesmo suficiente para passar pelo jogo sem qualquer tipo de sobressalto, e acabá-lo com um resultado que não destoaria dos melhores dos últimos tempos.


O golo inicial, de Musa, logo aos 13 minutos, resultou de um dos salpicos desse futebol de excelência, um 'tiki-taka' multi-combinado com Rafa. Tudo apontava para que fosse para continuar, mas não. Nove minutos depois, na primeira vez que os rijos e experientes jogadores da equipa da Amadora - grande parte deles velhas caras conhecidas do futebol cá do burgo - chegaram lá à frente, na cobrança de um livre lateral chegaram ao empate. 


As luzes de aviso acenderam-se, e os jogadores do Benfica correram à procura do golo. Que nem demorou muito, apenas sete minutos. À beira da meia hora, depois de um penálti inevitável sobre o Rafa, o Chiquinho fez de João Mário, e marcou. E voltou a ficar-se por aí, acabando com nova ameaça, já em cima do intervalo. O João Vítor tratou de fazer asneira, com uma falta tão desnecessária quanto indesculpável e, o livre - na mesma zona do terreno do que acabara no golo do empate - só não acabou em novo golo porque o Odysseas fez duas grandes defesas. Consecutivas.


O Benfica passou toda a segunda parte no registo "qb", sempre perto do 3-1. Sempre com o domínio do jogo mas sem fechar o resultado. Faltavam velocidade, agressividade e intensidade. Era tudo muito macio. E assim há duelos que não ganham, e bolas e golos que se perdem, deixando o resultado em aberto, à mercê de qualquer contingência do jogo.


Que acabaria mesmo por surgir, e só não foi decisiva porque Draxler - que entrara ao intervalo para substituir o apagado e "amarelado" Diogo Gonçalves (juntamente com Morato, para o lugar de João Vítor) - , em cima do minuto 90, apareceu finalmente no jogo, e marcou o (terceiro) golo da tranquilidade.


O tal incidente de jogo, a que o Benfica esteve sempre sujeito, acabou por surgir de um passe desastrado de Morato - que pareceu não querer sair com folha limpa - que ofereceu o 3-2 ao Estrela da Amadora, no último dos 5 minutos de compensação. 


É mais uma vitória. Numa exibição que, não entusiasmando do ponto de vista colectivo, e por absurdo que pareça, acabou por ser decepcionante ao nível do desempenho individual de muitos jogadores. Muitos mesmo. Salvaram-se Odysseas, Florentino e Rafa (o capitão. Quem diria?) Mais ninguém.


E esta não é uma boa notícia. É mesmo má!


 


 


 


 


 

2 comentários:

  1. Este Estrela da Amadora vs Benfica foi um jogo agradável de se ver, melhor que o jogo de abertura do mundial do Catar, tanto quanto ouvi dizer e com a vantagem de não ter sido disputado num cemitério, pois, tanto quanto sei, não houve vitimas mortais, na construção do Estádio Municipal de Leiria.
    O Estrela da Amadora mostrou ser uma equipa bem organizada e competitiva, jogou o jogo pelo jogo, com ousadia e atrevimento, marcou dois golos e ainda obrigou Vlachodimos a fazer três ou quatro intervenções de elevado grau de dificuldade.
    Era previsível que sem João Mário e Enzo o futebol do Benfica não tivesse a fluidez habitual, mas quem não tem cão caça com gato…Chiquinho esteve melhorzinho e até marcou um golinho, Diogo Gonçalves teve bons pormenores, mas borrou a pintura toda, ao fazer uma falta imprudente e desnecessária, que lhe valeu um amarelo e esteve na origem do livre que culminou no primeiro golo do Estrela.
    Musa inspirador, combinou muito bem com Rafa e conseguiu marcar um golo de belo efeito, naquele que foi o melhor momento do jogo.
    Nos primeiros oito minutos da segunda parte o Benfica dispôs de três oportunidades flagrantes para construir um resultado confortável e robusto, mas Rafa, por duas vezes e Neres, não conseguiram concretizar.
    Draxler, que jogou toda a segunda parte, sem que se tenha dado muito por ele, acabou por ser decisivo ao marcar o terceiro golo, aquele que permitiu uma vitória pela margem mínima, um resultado enganador, mas que acaba por premiar a ousadia do Estrela e penalizar a ineficácia do Benfica.
    Os tipos do marketing e do merchandising devem saber o que fazem, mas não me consigo habituar a ver o Benfica de amarelo, até porque girassóis circulantes não são o mesmo que papoilas saltitantes.
    E Pluribus Unum.

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  2. penso que o BENFICA,com aquela equipa vai conseguir vencer o seu grupo e passar em frente..so que alguns jogadores que estavam no banco deviam ser titulares? mas o treinador sabe o que faz .. rumo a final EPLURIBUS UNUM..

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