terça-feira, 3 de outubro de 2023

Entre tantos equívocos, só uma certeza: o caminho na Champions está curto!


Ao somar, esta noite em Milão, a segunda derrota consecutiva, muito dificilmente o Benfica logrará assegurar um futuro na Champions desta época que vá além desta fase de grupos. O apuramento para os oitavos de final não é, hoje, uma miragem. Mas imensamente reduzida a probabilidade de ser outra coisa.


A derrota desta noite, frente ao Inter, no Giuseppe Meazza, sem adeptos do Benfica - à excepção das escassa dezenas dos que, pelas mais diversas formas, incluindo a de se fazerem sócios do clube italiano, pelo comportamento de uns poucos, precisamente lá, no jogo de despedida da passada edição - só tem tamanha consequência por se seguir à inesperada derrota na Luz, há duas semanas. Não fosse isso e, perder por 0-1 com o Inter, em Milão, seria um resultado desagradável, evidentemente, mas dentro de todos os cenários de apuramento.


Mas era essa a realidade. O Benfica já não podia alterar nada do primeiro jogo. Já só poderia, e deveria, fazer tudo para ganhar este jogo. Não seria fácil - nunca o é - porque não é fácil, a este Benfica, ganhar a este Inter. Muito melhor equipa, e com muito melhor futebol, que na época passada, em que chegou à final com o Manchester City. Mas mais difícil ficou com a declaração de Roger Schemidt que "o empate seria um bom resultado".


É que essa ideia transmitida pelo treinador foi transportada para a equipa. Desde logo na sua constituição, sem ponta de lança, com o ataque entregue à magia de Neres, Rafa e Di Maria. Também a estreia de Bernat, libertando Aursenes para o trio de meio campo, não terá sido grande ideia. Porque lateral espanhol ainda não está - nem de perto - pronto, mas também porque a equipa não está rotinada no 4X3x3 que daí resultava.


A primeira parte correu de feição (a lesão de Bah, aí a meio, é mais um contratempo, mas o Tomás Araújo até acabou por, como o jogo estava, revelar maior segurança) à ideia de que "o empate não era um mau resultado". O Benfica teve bola, muita mesmo. Mas era apenas para entreter. O Inter não se incomodava muito com isso. Estava claramente confortável naquele jogo, em que lhe bastava fechar espaços e espreitar o contra-ataque. É o seu habitat natural! 


A superioridade do Benfica era mais ilusória que real. Teve uma bola na barra, mas num canto (directo) de  Di Maria. Não se pode falar de uma oportunidade de golo, mas de um acidente de jogo. O mesmo não acontece com o penálti sobre Neres, à meia hora de jogo, que ficou por marcar. Mais um, a somar aos da Luz, há duas semanas. Já não são acidentes de jogo. Nem é acidental que em ambos os jogos o VAR não tenha intervido. 


Mesmo que a arbitragem holandesa (Danny Makkelie foi o árbitro principal) não tenha comparação com a daquela equipa turca que estivera na Luz na primeira derrota, voltou a ter influência directa no jogo e no resultado. Foi o penálti por assinalar, mas foi o próprio golo do Inter, que deveria ter sido invalidado, por falta - clara - sobre Otamendi, que não estava a disputar a bola, mas foi impedido de a poder inteceptar no caminho para a baliza. As arbitragens da UEFA estão a ficar muito parecidas com as de cá. Do burgo.


O que de melhor o Benfica podia tirar daquela estratégia do "empate é um bom resultado" morreu no apito do holandês. A estratégia, essa, também. Morreu no apito inicial para a segunda parte!


Aquele futebol de entreter da primeira parte, sem a esperada magia dos génios (Rafa, Di Maria e Neres nunca tiveram tempo nem espaço para a soltar) e com Kokçu desaparecido do jogo, tinha sido muito fácil para o Inter. Mas suficientemente desgastante para deixar mossa nos jogadores do Benfica: João Neves só há um!


Bastou ao Inter entrar com outra intensidade para acabar com a estratégia de Roger Schemidt. E transformar a segunda parte num pesadelo. Valeu Trubin, e a sorte que o Benfica não tem tido!


Trubin só não conseguiu evitar o golo - perdeu-se muita coisa em Milão, mas ganhou-se um guarda-redes, afinal a melhor contratação da época -, à entrada do segundo quarto de hora. E a sorte ... tem limites. 


A ganhar, o Inter ficou ainda mais com o jogo a seu jeito. A perder, o Benfica ficou ainda mais perdido no jogo. As substituições de Roger Schemidt limitaram-se a substituir os mais estourados, e a introduzir mais confusão na equipa. Que passou de nenhum ponta de lança, a dois: Musa e Arthur Cabral. Este ainda desfrutou da única oportunidade de golo criada. Mas seria sorte de mais que, um jogador que ainda não mostrou nada que justificasse a sua contratação, acabasse por, ao fim de tantos jogos, marcar pela primeira vez na única ocasião da equipa. E logo no jogo que não se podia perder!


 

4 comentários:

  1. Se na primeira parte ainda conseguimos equilibrar o jogo, na segunda o futebol praticado esteve ao nível daquelas equipas da Islândia ou das Ilhas Faroé , compostas essencialmente por futebolistas amadores. E se não saímos de Milão com um resultado bastante constrangedor podemos agradecer aos ferros e a Trubin.
    Incompreensível.
    E Pluribus Unum !

    ResponderEliminar
  2. Carrega Benfica, só mais um (et pluribus unum) que só dois ainda é sempre pouco.
    O benfica jogou mesmo muito bem, como sempre, foi muito superior, merecia e deveria ter goleado, mas o árbitro e o var e o Pinto da Costa controlam tudo, até cá dentro...
    Viva o scb.

    ResponderEliminar
  3. Se na primeira parte tivemos a bola, se a lógica do futebol - deste - não fosse uma batata, teriam de ser os do Inter a correr atrás dela. Correr atrás da bola - e isso já não é lógica, é Física - cansa mais do que jogá-la. Pois é, o futebol do Benfica, ontem, não contrariou só a lógica. Contrariou também a Física. É isso - incompreensível.
    E Pluribus Unum!

    ResponderEliminar
  4. Se é uma provocação, tudo bem. Aceito. Comentário ao texto é que não é. Não tem nada a ver, como é facilmente constatável.

    ResponderEliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...