sábado, 16 de dezembro de 2023

P (Nuno) S

É oficial: Pedro Nuno Santos é o líder do PS


Como se esperava, e o PSD tinha já anunciado no seu Congresso, Pedro Nuno Santos é o novo secretário geral do PS e, por isso, candidato a primeiro-ministro. Ganhou as directas com larga vantagem (62%) a José Luís Carneiro (36%) - o meu conterrâneo, Daniel Adrião (menos de 1%), nem sequer entrou nas contas  -, confirmando que, nos partidos, quaisquer que sejam, o que realmente conta é a máquina.


A máquina não se descuida, toma conta de tudo. Pedro Nuno Santos não é o descabelado esquerdista que se anunciou. Mem a máquina nunca permitiria que o fosse, produzindo de imediato os entusiásticos apoios de Francisco Assis, Álvaro Beleza e Sérgio Sousa Pinto. 


Posso estar enganado, mas não me parece que o discurso do novo líder do PS, que é também um líder novo, consiga entusiasmar o país como entusiasma a máquina.


 


 

5 comentários:

  1. Boa noite, Eduardo Louro

    Sei que sou como o João, "a voz que clama no deserto"
    Mas há certas afirmações que fazem cócegas nas teclas e não me posso calar contra as inverdades.
    Facto - Pedro Nuno Santos foi eleito Secretário Geral do PS.
    Facto - Pode ser, se assim o entender, candidato a deputado por círculo eleitoral que quiser.
    Facto - Não há nenhum círculo eleitoral para candidatos a primeiro ministro.
    Pergunta, pouco inocente - A quem interessa que haja "candidatos a primeiro ministro"?
    Zé Onofre

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  2. Independentemente de a quem interesse, a verdade - "facto" - é que há candidatos a primeiro-ministro.

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  3. Boa tarde, Eduardo Louro

    Facto do Estado de direito - Qual o artº da constituição que prevê a eleição do primeiro-ministro?
    Zé Onofre

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  4. Boa tarde Zé Onofre,
    Eu compreendo, e subscrevo, o seu ponto de vista. Acho também que há a quem interesse esta confusão entre eleições legislativas e eleições para o governo. E que se usa, e abusa, da expressão "candidato a primeiro ministro". Completamente de acordo.
    Mas nada disso impede que haja candidatos a primeiro ministro, porque os há. O facto de, constitucionalmente, o partido vencedor das eleições indicar o nome do primeiro-ministro para formar governo (independentemente das formalidades constitucionais que se lhe seguem) dá nisso mesmo. Em tese, em todos os partidos concorrentes às legislativas há um candidato a primeiro ministro. Na prática a conversa é outra.

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  5. Boa tarde, Eduardo
    Afinal parece estarmos de acordo quanto a constitucionalmente não haver eleições para primeiro ministro.
    "O facto de, constitucionalmente, o partido vencedor das eleições indicar o nome do primeiro-ministro para formar governo [...] dá nisso mesmo."
    Outra interpretação errada da Constituição. Nada nela condiciona o Partido mais votado a indicar um deputado eleito (seja ele o seu dirigente máximo, ou um outro) para primeiro ministro. Pode indicar para o cargo qualquer cidadão que considere ser o "melhor" para o cargo. Se assim fosse certamente não veríamos os dirigentes de alguns partidos demitirem-se após um desaire eleitoral, como se a responsabilidade fosse apenas deles e não de todo o partido. É, também, uma bela forma de desresponsabilizar o Partido de tudo que foi feito no passado porque se dirá - isso foi com fulano, mas agora com sicrano é diferente.
    Portanto, enquanto nós todos aceitarmos como natural este estado de coisas, as eleições não passarão de uma caça ao voto, não para governar segundo um projeto para o país, mas para atingir o poder pelo poder. Por isso tanta promessa feita, tanta promessa deitada ao caixote do lixo ao outro dia das eleições, e a abstenção a aumentar de eleição para eleição.
    Para quê votar se as eleições são um embuste. Como dizia Eça de Queirós em "Uma Campanha Alegre" - os deputados também são nomeados por decreto só quem o assina é o Povo - mais ou menos isto.
    E lá vamos nós lamuriando e chorando, afundando-nos neste pântano a que deixamos chegar a política, à espera de um Messias que nos salve.
    Zé Onofre

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