Como se esperava, e o PSD tinha já anunciado no seu Congresso, Pedro Nuno Santos é o novo secretário geral do PS e, por isso, candidato a primeiro-ministro. Ganhou as directas com larga vantagem (62%) a José Luís Carneiro (36%) - o meu conterrâneo, Daniel Adrião (menos de 1%), nem sequer entrou nas contas -, confirmando que, nos partidos, quaisquer que sejam, o que realmente conta é a máquina.
A máquina não se descuida, toma conta de tudo. Pedro Nuno Santos não é o descabelado esquerdista que se anunciou. Mem a máquina nunca permitiria que o fosse, produzindo de imediato os entusiásticos apoios de Francisco Assis, Álvaro Beleza e Sérgio Sousa Pinto.
Posso estar enganado, mas não me parece que o discurso do novo líder do PS, que é também um líder novo, consiga entusiasmar o país como entusiasma a máquina.
Boa noite, Eduardo Louro
ResponderEliminarSei que sou como o João, "a voz que clama no deserto"
Mas há certas afirmações que fazem cócegas nas teclas e não me posso calar contra as inverdades.
Facto - Pedro Nuno Santos foi eleito Secretário Geral do PS.
Facto - Pode ser, se assim o entender, candidato a deputado por círculo eleitoral que quiser.
Facto - Não há nenhum círculo eleitoral para candidatos a primeiro ministro.
Pergunta, pouco inocente - A quem interessa que haja "candidatos a primeiro ministro"?
Zé Onofre
Independentemente de a quem interesse, a verdade - "facto" - é que há candidatos a primeiro-ministro.
ResponderEliminarBoa tarde, Eduardo Louro
ResponderEliminarFacto do Estado de direito - Qual o artº da constituição que prevê a eleição do primeiro-ministro?
Zé Onofre
Boa tarde Zé Onofre,
ResponderEliminarEu compreendo, e subscrevo, o seu ponto de vista. Acho também que há a quem interesse esta confusão entre eleições legislativas e eleições para o governo. E que se usa, e abusa, da expressão "candidato a primeiro ministro". Completamente de acordo.
Mas nada disso impede que haja candidatos a primeiro ministro, porque os há. O facto de, constitucionalmente, o partido vencedor das eleições indicar o nome do primeiro-ministro para formar governo (independentemente das formalidades constitucionais que se lhe seguem) dá nisso mesmo. Em tese, em todos os partidos concorrentes às legislativas há um candidato a primeiro ministro. Na prática a conversa é outra.
Boa tarde, Eduardo
ResponderEliminarAfinal parece estarmos de acordo quanto a constitucionalmente não haver eleições para primeiro ministro.
"O facto de, constitucionalmente, o partido vencedor das eleições indicar o nome do primeiro-ministro para formar governo [...] dá nisso mesmo."
Outra interpretação errada da Constituição. Nada nela condiciona o Partido mais votado a indicar um deputado eleito (seja ele o seu dirigente máximo, ou um outro) para primeiro ministro. Pode indicar para o cargo qualquer cidadão que considere ser o "melhor" para o cargo. Se assim fosse certamente não veríamos os dirigentes de alguns partidos demitirem-se após um desaire eleitoral, como se a responsabilidade fosse apenas deles e não de todo o partido. É, também, uma bela forma de desresponsabilizar o Partido de tudo que foi feito no passado porque se dirá - isso foi com fulano, mas agora com sicrano é diferente.
Portanto, enquanto nós todos aceitarmos como natural este estado de coisas, as eleições não passarão de uma caça ao voto, não para governar segundo um projeto para o país, mas para atingir o poder pelo poder. Por isso tanta promessa feita, tanta promessa deitada ao caixote do lixo ao outro dia das eleições, e a abstenção a aumentar de eleição para eleição.
Para quê votar se as eleições são um embuste. Como dizia Eça de Queirós em "Uma Campanha Alegre" - os deputados também são nomeados por decreto só quem o assina é o Povo - mais ou menos isto.
E lá vamos nós lamuriando e chorando, afundando-nos neste pântano a que deixamos chegar a política, à espera de um Messias que nos salve.
Zé Onofre