
O Ministro da Defesa - sim, exactamente o que tutela as Forças Armadas - num jantar-conferência da 13.ª edição da Universidade Europa, faz precisamente amanhã uma semana, defendeu que o serviço militar poderia ser uma alternativa para jovens que cometem pequenos delitos em vez de serem colocados em instituições que, “na maior parte dos casos, só funcionam como uma escola de crime para a vida”.
E sustentou este ponto de vista, esta proposta, esta recomendação - é só escolher e riscar o que não interessa - na questão, interrogação, pergunta retórica (é, de novo, só escolher e riscar o que não interessa):
- “Quantos destes jovens é que, se em vez de estarem institucionalizados sem nenhumas condições, pudessem cumprir um serviço militar, ter oportunidade de um exercício de formação, de autoridade, de valores, não poderiam ser mais tarde cidadãos muito melhores e simplesmente não lhes foi dada essa oportunidade?”
O ponto de vista, a proposta, ou a recomendação - tão bizarra quanto ideologicamente significativa - foi, como não podia deixar de ter sido, desancado/a no espaço mediático. Os militares saltaram-lhe logo para cima. Partidos requereram ouvi-lo no Parlamento. E nem Marcelo faltou, como também não podia deixar de ser, mesmo que, desta vez, por "omissão expressamente não omitida".
Praticamente uma semana depois, em visita à Ovibeja - o que é uma feira agropecuária terá a ver com a Defesa? - , Nuno Melo negou tudo o que afirmou e falou de "realidade paralela", e de "uma falsidade feita notícia":
Nada disto é assim tão estranho. Nuno Melo tem lata para isto e muito mais. O que não tem é jeito, nem condições, para Ministro da Defesa. Mas isso também já se sabia.
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