A greve da TAP - evidentemente impopular, e evidentemente só possível de levar em frente por uma corporação que disfruta de condições profissionais muito acima da média - põe mais uma vez a nu a falta de competência deste governo cheio de gente impreparada. E de má fé!
Nem sequer vale a pena ir procurar razões políticas, que são tantas. A começar na falta de transparência, no timing político, ou na degradante trapalhada que arranjaram à volta das versões, em inglês e em português... Basta ter visto hoje o ministro Pires de Lima garantir, com a sua palavra, que está agora disposto, na condição de a greve ser cancelada, a acolher as propostas dos trabalhadores da TAP para o caderno de encargos da privatização.
É que, evidentemente e como toda gente percebe, na primeira vez que se falasse na agenda para a privatização de uma empresa como a TAP, a primeira coisa que tinha de ser conhecida era exactemente o respectivo caderno de encargos. Que ninguém de bom senso consegue admitir que seja possível desenhar sem, numa empresa como a TAP, envolver os seus trabalhadores...
Claro que o governo tem o caderno de encargos da privatização concluído. Pretendeu sempre mantê-lo escondido, longe da discussão e sem o envolvimento de quem quer que seja. Mas, escudado no mais que provável ponto de não retorno da greve, decide arriscar e fazer de conta. Fazer de conta que se lembrou do que só agora percebeu que deveria ter feito.
É esta demonstração de incompetência, de inépcia, e de falta de senso, de boa-fé, e de capacidade política o que, para já, de mais relevante fica desta greve. Ao pé disto, o resto são fait divers!

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