quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

O nevoeiro trouxe o que o nevoeiro levou


Contra o que era dado por expectável, o jogo da Choupana, relativo à oitava jornada, lá se realizou. Era tido por certo que o nevoeiro - que neste século já obrigou a interromper e adiar 17 jogos - voltaria a aparecer. Àquela hora, às 17 para que o jogo foi marcado, a mesma a que se iniciara o jogo a 6 de Outubro, é inevitável. 


Apareceu, e chegou a ser ameaçador, à medida que o intervalo se aproximava. O intervalo e o anoitecer afastou-o, e ainda bem.


Mais de dois meses e meio depois, o jogo foi retomado com um lançamento de linha lateral a favor da equipa do Nacional. É estranho ver um jogo começar desta forma, e nunca um lançamento lateral terá certamente sido tão treinado.


Talvez por isso, por ter sido tão preparado, este acabou por ser o único momento do jogo em que o Nacional teve presença no meio campo defensivo do Benfica. Passados esses dois ou três minutos o Benfica tomou conta do jogo, e nunca mais o largou.


Com aquele que é o onze inicial de eleição de Bruno Lage, o Benfica tomou conta do jogo, e começou a criar oportunidades de golo umas atrás das outras. Golos, é que nada. Porque o guarda-redes "nacionalista", o brasileiro Lucas França, defendia tudo. Mas também porque Pavlidis e Akturkoglu estão muito longe da forma que apresentavam há dois meses. 


Não quer isso dizer que o Benfica tenha realizado uma grande exibição, daquelas de encher o olho. Não, nem isso é nesta altura possível. Porque não são apenas aqueles dois que atravessam dificuldades, esses são os que lá estão, no sítio onde se tem de marcar os golos. Há muitos mais jogadores que não passam pela melhor condição. Quer apenas dizer que o Benfica ganhou sem qualquer espécie de reticências, sem tremideiras e sem nunca deixar de ter o jogo completamente sob controlo.


E quer dizer que o que se passou na Vila das Aves, no passado domingo, e que impediu o Benfica de ser hoje o líder da classificação, ficou para trás. Foi um acidente.


O Benfica entrou com pressa no jogo, e esse foi o primeiro sinal disso mesmo. Na verdade não dispunha de muito tempo: oito minutos já tinham desaparecido no nevoeiro de 6 de Outubro, e o que se esperava para hoje poderia surgir a qualquer instante, e acabar com o tempo que faltava.


O aproximar do intervalo e do nevoeiro, o adiar do golo pelo tal Lucas França - com três defesas impossíveis, a remates de Akturkoglu (por duas vezes) e Otamendi  - e a degradação do estado do relvado, poderiam ter complicado as coisas. 


O início da segunda parte acrescentaria os ferros da baliza do Nacional a estas contrariedades. Com o guarda-redes batido, foi a trave a devolver o remate de Kokçu. Só o nevoeiro era boa notícia, finalmente a dar sinais que o jogo poderia ser disputado até ao fim. 


À passagem do quarto de hora um defesa do Nacional cortou com a mão uma bola rematada por Di Maria, e desta vez, ao contrário do que sucedera na primeira parte (até o gesto de esconder a mão atrás das costas, depois de ter sido usada para cortar a bola, é igual), o árbitro e o VAR não puderam deixar de ver. Di Maria converteu o penálti - à sua maneira, com a classe do costume - no primeiro golo, e o assunto ficou resolvido. Desta vez ficou mesmo resolvido!


O Benfica nunca permitiu qualquer tipo de chance ao adversário. Di Maria voltou a marcar, menos de um quarto de hora depois, já com Amdouni em campo, no lugar de Pavlidis. A bola voltou a bater nos ferros da baliza do Nacional, o seu guarda-redes continuou a defender o que lhe aparecia e, no fim, o resultado acabou por ser melhor a coisa que aconteceu à equipa madeirense.


Ao Benfica, e apesar do escasso resultado, as coisas acabaram por não correr mal. Nada que, no entanto, limpe a estrutura do Benfica neste processo. O jogo podia e devia ter-se realizado naquele dia 6 de Outubro. E era isso, e apenas isso, que competia à estrutura do Benfica aceitar.

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