Andam todos os dias nisto e não há meio de ganhar vergonha. Nem o mínimo de decência.
Primeiro foi a Rita Matias, que vai ser mãe, que pôs os emigrantes a passar pelo Algarve, num camião que descarregava indostânicos, com o alarido do costume. Seria imediatamente tudo desmascarado. Não eram nada emigrantes clandestinos a desembarcar no Algarve. O vídeo tinha sido gravado em Maldon, Essex, em terras de Sua Magestade.
Havia no vídeo referência a Algarve, mas era como aquela, aqui há tempos, que levara o Presidente da República, então Marcelo, a um festival de hamburgueres. Lembram-se?
Logo a seguir, André Ventura, que não está grávido, nem tem filhos, presenteou-nos com aquela dos portugueses expulsos de um restaurante indostânico ... por estarem a falar português. Com o alarido do costume ...
Afinal, não tinha sido nada disso. Os portugueses estavam a falar português, é certo. Mas a chamar "puta de refugiada" a uma funcionária, e foram postos fora do restaurante por essas palavras. Ditas em português, que é bem diferente de falar a nossa língua.
Mas em ambos os casos, como em todos, que diariamente se repetem, passa a ideia. Constrói-se a percepção. E assim vão ganhando terreno estas narrativas. Depois, o resto, vem com a permanente presença no espaço dito noticioso. Não passa um dia sem uma grande entrevista na televisão do coiso.
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