Por Luís Fialho de Almeida
A agricultura continua a ser um sector pouco atractivo, apesar dos incentivos em vigor, nomeadamente para fixar jovens.
A “má imagem publica do sector” e “dificuldades naturais da profissão”, que o Presidente da Republica refere (jornal Expresso de 10.06.11) leva-me a ironizar, com os “porcos, feios e maus”, porque o exercício da actividade não é compatível, de todo, com Chanel e com Dior, apesar da dureza de muitos trabalhos e a agressividade climática serem atenuadas pelo uso de tractores cabinados com ar condicionado, e da gestão ser cada vez mais profissionalizada, assente na formação e qualificação dos diversos intervenientes, fazendo-se uso das mais diversas tecnologias, desde a informática à robótica.
“Maus” porque, entre outras causas, se tem a imagem da constante dependência do subsídio para tudo, quando importante era rever a PAC valorizando mais as ajudas ao investimento nas produções viáveis face ao mercado, e menos ao rendimento de manutenção certas produções (devo salvaguardar as ajudas e a manutenção de cotas de produção a sectores para nós vitais, como o do leite, entre outros).
Os “maus”, aqui, tem sido os parasitas dos fundos públicos, que se encostam ao sector para obter benefícios sem que contribuam para a produção e aumento da riqueza nacional. Todos conhecemos exemplos do desvario e má gestão dos recursos financeiros durante os Quadros Comunitários de Apoio - QCA, e vamos no quarto. A má fama do sector, também advém da má formulação e do mau uso das políticas e recursos para o mesmo. A Espanha, contemporânea de Portugal na entrada na UE, adaptou a aplicação dos fundos comunitários de forma a torna-los mais eficientes na modernização do seu sector primário.
Acho mesmo, e volto à ironia, que a actividade agrícola, que tem funções terapêuticas, serviria para regenerar aqueles que fazem ou fizeram mau uso da política. Não lhes facultando, obviamente e para evitar tentações, o acesso a dinheiros públicos.
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