Por Luís Fialho de Almeida
O meio rural não tem de ser necessariamente associado a cultura “pimba”.
Nas minhas deambulações por França, desde de 1975, passei a constatar um progressivo entrosamento entre a cultura urbana e a rural, não sendo raro encontrar nas explorações agrícolas iniciativas ligadas à museologia rural, a exposições temáticas, concertos de musica contemporânea e clássica, entre outros eventos, realizações por vezes articuladas com entidades do domínio cultural e autárquico. Neste país, principalmente nos períodos de verão, os territórios rurais procuram potenciar os seus recursos, para fruição do turismo e das comunidades urbanas, gerando receitas complementares da exploração agrícola que a mera actividade agro-pecuária ou agro-florestal seria incapaz de alcançar.
Há dias, um distinto advogado da capital, ao saber que eu tinha deixado funções institucionais e estava a fazer agricultura, perguntava o que fazia eu na agricultura. Face ao tom da interrogação pareceu-me mais ajustado não responder com qualquer actividade que ele pudesse considerar mais rudimentar (tipo feijões e batatas) e apenas informei que estava a fazer a minha “peregrinação interior”, citando Alçada Batista e, neste exercício, sem ponta de snobismo, prefiro no meu mp3 a companhia de Bach, Haendel ou Biber - são gostos! Sem desprimor para a presença do Tony Carreira na Av. da Liberdade, no passado dia 18, animando, creio que de forma brilhante, a mostra de produtos agro-pecuários.
Na agricultura – como nos restantes sectores produtivos –, pela nossa dimensão, nunca poderemos competir noutros campos que não os da diferenciação. Seja pela alta qualidade, pelo design ou pela inovação. E pelo marketing, a começar pelo país, pela marca Portugal.
ResponderEliminarPortugal precisa urgentemente de apostar numa estrutura de comunicação externa que una economia e diplomacia, dando-lhe meios para, de uma forma coerente e eficaz mudar a imagem do país.
O mercado interno está, como bem diz, nas mãos das grandes superfícies. Evidentemente que o negócio das grandes superfícies é massificado, desajustado, portanto, da nossa oferta. Utilizarão a produção nacional apenas e só para a sua própria promoção, como foi o caso recente e que refere num destes seus textos.