quarta-feira, 13 de maio de 2020

Da série Novo Banco

Centeno aprovou nova injecção no Novo Banco em Abril


 


A transferência dos 850 milhões de euros para o Novo Banco efectuada por Mário Centeno, quando António Costa garantia na Parlamento que nem mais um  cêntimo seguiria sem que fossem conhecidos os resultados da auditoria, não é um mero problema de comunicação, como afirmaria o ministro das finanças. Nem um simples lapso que se resolva com um pedido de desculpas, como fez o primeiro-ministro.


Não será também apenas mais um episódio de uma nova temporada da série de clássicos desaguisados entre primeiro-ministro e ministro das finanças em governos do Partido Socialista. Nem uma ardilosa montagem de Centeno para romper com António Costa, depois da deselegante despromoção de que foi alvo neste segundo governo, e zarpar. Para o Banco de Portugal, o que seria de todo inadmissível, ou para outro lado qualquer compatível com o estatuto que conquistou.


Era público - tem sido objecto de larga discussão e consta até do Orçamento de Estado - que este montante era mesmo para entregar a esse poço sem fundo do Novo Banco, velho em tudo. E por isso tinha evidentemente de ser do conhecimento de António Costa. Não era público, ao contrário do que os analistas e comentadores profissionais vão dizendo, que essa entrega fosse incondicional, isto é, que não dependesse de qualquer auditoria, fosse ela qual fosse - já que são tantas, e todas sem resultados públicos. Não era público pelas simples razão que, sendo um condição contratual, o contrato da "venda" ao Lone Star não o é. Ninguém conhece esse contrato, nunca foi divulgado, vá lá saber-se por quê.


António Costa, tem no entanto que ser uma das pessoas que o conhece. E deverá ter lá a sua assinatura. Pelo que não é aceitável a trapalhada em que se meteu. Que tem tudo para parecer propositada.


E no entanto houve falha de comunicação. Tratando-se do que se tratava, de uma operação politicamente altamente sensível, não é aceitável que nem o "Cristiano Ronaldo", nem o Mourinho, das Finanças, tivessem informado António Costa da saída do dinheiro. Menos aceitável é ainda que, tendo o primeiro-ministro, no mesmo Parlamento, já anteriormente referido a tal expressão de "nem mais um cêntimo...", a equipa das finanças não lhe tivesse de imediato comunicado que não poderia dizer tal coisa. Que tem também tudo para parecer propositada!


  Mas se calhar sou eu que ando ver a séries de mais... 


No fim, fica a ideia que nem tudo tem de ser sempre assim, sempre sem alternativa, como Mário Centeno defende. E a ligeira sensação que, para o ministro das finanças, nestas coisas do Novo Banco, não é preciso mais que assinar de cruz. 


É que soube-se, por exemplo, que a administração do Novo Banco, que está impedido de distribuir prémios até 2021, tratou de reservar, desde já para si, 2 milhões de euros nas contas de 2019 para que lhe possa deitar a mão em 2022. E que o Fundo de Resolução, considerando isso moralmente inaceitável, descontou esse valor no montante que tinha a transferir para o Banco, coisa que o Ministério das Finanças nem se lembrou de fazer ao transferir estes 850 milhões para o Novo Banco, via Fundo de Resolução.


São 2 milhões de euros. Não é muito. Mas neste contexto é muito mais que muito!


 


 


 

6 comentários:

  1. De vergonhas chega.
    Esta dupla sinistra está mais preocupada em não perder o pé com meias de encher.
    Sempre que fazem caca, e são tantas vezes, desculpam-se sempre com falhas de comunicação.
    Será que têm medo dos telemóveis sob escuta?
    Uns desonrados, artimanha após artimanha.
    Mas continuam no palco das adorações-

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  2. Pensar que o Novo Banco foi apresentado como a parte, digamos, saudável, do BES.
    O NB tem despachado malparado aos biliões, escudado por um Fundo de Resolução que não tem dinheiro próprio. Sobra para o contribuinte. Mas eu não vejo notícias sobre a quanto é vendido esse malparado, a quem, a taxa de recuperação, e donde veio esse malparado.

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  3. Isso mesmo. Simplesmente meter lá dinheiro - todo, é só pedir - não é simplesmente aceitável. E a questão do crédito malparado é central: como é vendido, a quem e com que desconto. E claro, donde vem: a célebre lista de devedores.

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  4. Bem, há por aí números e nomes não-oficiais. Os nomes fazem parte duma certa nata empresarial cujo maior sucesso parece ter sido deixarem calotes em todos os bancos nacionais, terem escapado entre os pingos da chuva de penhoras que assolou classes menores, e viverem muito confortavelmente dos rendimentos duma moto4 ou duma arrecadação nas Beiras, sem que o Fisco pergunte como é possível.
    Quanto aos números, apareceu por aí um valor - 700 milhões por 20 milhões. Se é muito ou pouco depende do que consta no pacote. Evidentemente que quem compra espera recuperar mais do que pagou pelo malparado, o que coloca a questão: porque não o recupera o Novo Banco?
    É claro que sem escrutínio, e com o governo a passar cheques, nada impede os donos do banco de vender o malparado mais ou menos a si mesmos ganhando em duas frentes - limpam o banco e embolsam o que recuperam. E estão em posição de garantir que recuperam.

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