Terá chegado ao fim a história de Cristiano Ronaldo na seleccão nacional. Um final inglório, como há muito se perspectivava. Não exactamente por esta razão mas, em última instância, também por esta razão.
Cristiano Ronaldo merecia outra saída. A história de Ronaldo na selecção nacional merecia outro fim. Mas era difícil que fosse outro.
Essa história tem tantos momentos de genialidade, como de poder pornográfico. Talvez mais, ainda. Atropelou Carlos Queiroz, já lá vão quase duas dezenas de anos, e passou guia de marcha a Paulo Bento. Fernando Santos, um autêntico pai, quando há já mais de quatro anos o deixou pela primeira vez no banco, por já haver melhores alternativas na selecção, assinou o despedimento. E abriu a contratação a um treinador medíocre, contratado para lhe prestar vassalagem absoluta, e fazer dele o selecçionador, de facto.
À beira de completar 42 anos Cristiano, que há muito perdera praticamente todas as faculdades que fizeram dele um grande jogador de futebol, tinha o objectivo de chegar ao golo mil. Era a selecção nacional ao serviço do último desígnio de Ronaldo.
Tudo apontava para que Jorge Jesus fosse contratado para isso. Tinha sido o seu treinador de clube, na Arábia Saudita, para onde se transferira há quatro anos, para continuar a alargar o seu poder. E estava condenado a esse papel.
Quando tomou posse do cargo Jorge Jesus não cortou com nada. Não concordo que fosse corajoso a enfrentar Ronaldo. Jorge Jesus tem um ego que, não sendo equiparável ao de Ronaldo, é de um tamanho muito considerável. Muito acima de média. E depois tem o coração muito perto da boca, incapaz de diplomacias. Entusiasma-se com o seu ego, e perde o tento na língua. Nunca teve controlo de linguagem, não é de hoje. Entusiasmado é "uma camioneta sem travões"!
Foi isto que provocou o conflito entre Ronaldo e Jesus. Não foram os "tomates" de Jesus!
Agora, que a bomba estoirou nas mãos de Pedro Proença - merece como ninguém que lhe rebente nas mãos -, com o abandono de Ronaldo do estágio em Copenhaga, é o ego de Jesus que o obriga a ter "tomates".
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