segunda-feira, 19 de outubro de 2026

O aldrabão mor



Sem surpresas. Era esperado!

O aldrabão mor do reino juntou-se aos protestos que grassam no país. 

Tal e qual como no caso de legislação laboral, onde depois de tudo acordado com o governo, virou "o bico ao prego" logo que viu que os ventos sopravam do lado contrário; agora, depois de dias e dias de deputados e seguidores, no Parlamento, nas televisões e nas redes sociais, a insultarem os manifestantes, logo que se apercebeu da direcção dos ventos que sopravam da rua, André Ventura manda à urtigas a "lei do arrendamento", que tinha aprovado com o governo, propõe à pressa um pacote legislativo sobre habitação, e vai a correr para a fotografia ao lado dos que protestam na rua.

É assim. Sempre em pé. E é isto que parece que os portugueses querem para primeiro ministro. Pobre povo!




Há 10 anos

 


Veio do frio, como o espião, a primeira vitória do Benfica nesta edição da Champions. Não foi com uma exibição fulgurante - nem poderia ter sido - mas foi com uma exibição segura e personalizada que o Benfica ganhou, hoje em Kiev, um jogo que não poderia deixar de ganhar.


Não ganhar, hoje, e mais a mais com a inesperada vitória dos turcos do Besiktas em Nápoles, significaria já o adeus à mais bonita e importante competição do futebol mundial. Ganhar, como ganhou, conjugado com o surpreendente - ou talvez não, a equipa italiana tem vindo a cair a pique desde o jogo com o Benfica - resultado de Nápoles, deixa tudo em aberto para a segunda volta desta fase de grupos. Onde o Nápoles entra com mais pontos, mas com poucas mais vantagens. Em teoria, claro.


Também na Champions o Benfica acaba por sair vivo desta fase negra de lesões, mesmo que as coisas não tivessem corrido bem nos dois primeiros jogos, que teve que abordar com demasiadas e óbvias fragilidades. A partir de agora só há que esperar mais. E melhor!   


domingo, 18 de outubro de 2026

Há 10 anos

 

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Seria provavelmente muito difícil encontrar duas pessoas que casassem tão bem incompetência e charlatanismo como Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. As suas reacções ao Orçamento constituem as mais evidentes provas de incompetência técnica e política. Mas também põem exuberantemente a nu o charlatão que há em cada um deles. 


A "tentativa de ilusão" de Maria Luís Albuquerque com as "pensões mínimas" casa perfeitamente com os "truques" de Passos Coelho! Um embuste, é o que é!

sábado, 17 de outubro de 2026

O mestre dos truques

 


Governar é resolver os problemas. Dos portugueses, no caso. O mestre dos truques não lhes mexe. Nem lhes toca, faz truques. O mestre dos truques pensa que "tapar o sol com uma peneira" é o mais fácil dos truques de ilusionismo.

Perante as manifestações por todo o país por soluções para a habitação, pacíficas como só o povo português sabe ser, o mestre dos truques acusou de egoísmo ... "as associações e as organizações", não as pessoas que as constituem.

Perante a falta de proporcionalidade da carga policial, tem  um vídeo. E mais um truque para mudar a importância, e inverter as prioridades, do que está em causa. 

Perante o alargamento a todo o país dos protestos tem até um ministro para mandar dizer no parlamento que "o governo não vai ceder aos gritos que vêm da rua", numa revelação de claro desfasamento da realidade social do país. 

É que o país continua a encher-se de tendas. E continua a gritar. Como poucas vezes gritou!

Há 10 anos

 

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Bob Dylan já tinha cantado alguma dificuldade em atender o telefone. Já em 1963 cantava que o telefone tocou, tocou, tocou... Mas aí acabou por atender. Era Kennedy.


Agora, não. Não  atende mesmo o telefone, e a Academia Nobel já desistiu de o contactar.


Acho que é a melhor resposta que Bob Dylan encontrou para a polémica que se instalou à volta da atribuição do Nobel: não dar sinal de vida. Assim deixa toda a gente satisfeita com a sua razão.


Os que acham que foi a escolha errada, reforçam as suas razões: não merece um prémio quem lhe falta ao respeito desta maneira - dirão. Os que, pelo contrário, concordam com a escolha da Academia, sentem as suas razões ainda mais reforçadas: só um espírito livre e desalinhado, próprio de um grande criador, merece incontestavelmente um prémio que despreza desta forma!


Acho.eu... E acho que nem lá vai pôr os pés no dia 10 de Dezembro...

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Joaquim Letria (1943-2026)

 



Um grande jornalista. Um senhor da comunicação social!

Há 10 anos

 



Nenhuma surpresa nas eleições regionais nos Açores. Nenhuma novidade na quinta maioria absoluta do PS - a segunda de Vasco Cordeiro. Nenhuma novidade na abstenção galopante - já está praticamente nos 60%. Se não preocupa ninguém, deveria preocupar toda a gente. Nenhuma surpresa no ar triunfal da Cristas. Nem sequer no bem preenchido séquito com que se apresentou a festejar não se sabe bem o quê. Que apenas realçou ainda mais a solidão de Passos Coelho na hora de mais uma derrota.


Passos, sozinho, também já não é novidade. E muito menos surpresa!   

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Benfica 4 - Celtic 1

 


Casa cheia, mais uma, na Luz, para assistir a um clássico do futebol europeu, com o Benfica a receber o Celtic.

Um clássico europeu bem diferente do que acontece por cá, em clássicos ou não. Começa logo por ser um jogo sem truques, aberto e leal. Com poucas faltas, sem tempos mortos, com muitos remates, muitas oportunidades, muitos golos. Resumindo, com muito futebol!

O Benfica entrou demolidor, com faz por cá. Com um golo logo a abrir, um golo como por norma por cá não tem. Um penálti, claro. Mas que cá seria sempre sonegado pelo árbitro, fosse quem fosse, e pelo VAR. Que nem foi preciso. Um penálti que Duran, hoje titular, tal como Trubin, Lukebakio e  Sudakov, converteu à Panenka.

Á meia hora de jogo, pouco depois, já o Benfica ganhava por 3-0. Bah tinha marcado o segundo, ia a primeira a meio. Duran bisava, pouco depois da meia hora. Mas o jogo não tinha só golos, tinha bolas nos ferros e mais oportunidades para marcar.

O Celtic foi o primeiro a acertar nos ferros, e logo por duas vezes no mesmo lance. O Benfica responderia logo a seguir, com Aursnes em fora de jogo, e o intervalo chegaria quase sem se dar por ele, tão entretido - e bem jogado - o jogo estava.

A segunda parte foi diferente. O Celtic nunca virou a cara à luta, nunca desistiu, nunca teve mau perder. O Benfica nunca deixou de ser superior, mas deixou de ser dominador. Foi melhor, mas apenas ocasionalmente dominador. Não foi exactamente aquilo a que se chama um jogo partido, mas esteve longe de ser um jogo dominado.

À entrada do segundo quarto da segunda parte o Duran deles marcou, antecipando-se de cabeça a Trubin. E mais bolas aos ferros das duas balizas. Por duas vezes. Do Celtic, logo seguido da resposta do Benfica. Schjelderup - entrado na partida tal como Echeverri, Pavlidis, El Karouani e Circati - e Tomás Araújo!

O jogo só "sossegaria" com o quarto golo, de Pavlidis. Os adeptos, esses não. Nunca estiveram desassossegados, vibraram sempre Prestianni! 

21

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Há 10 anos

 

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Não estamos habituados – felizmente que não – a crimes de sangue tão violentos e repugnantes como os que ocorreram no início da semana.


Estamos habituados – diria agora que infelizmente – ao tratamento que as televisões dão a este tipo de ocorrências. Exploram até à exaustão o filão emocional da tragédia, muitas das vezes de forma absolutamente gratuita, em longos directos de encher chouriços, cada vez mais deprimentes. E ficam-se por aí…


Serve isto para dizer que não há, nem haveria, grandes razões para esperar grande coisa da inevitável ampla cobertura que as televisões fizeram dos trágicos acontecimentos de Aguiar da Beira. Que, por aí, a história não viesse bem contada não nos surpreenderia por aí além. Surpreende-nos a sucessão de incongruências. E surpreende-nos ainda mais que percebamos que é a GNR quem nos conta coisas inconsistentes.


O que fomos ouvindo foi uma sucessão de histórias mal contadas logo desde o início. Os suspeitos eram dois, mas depois apenas um. Surpreendidos por dois militares da GNR em pleno roubo. De materiais de construção. Mas também podia ser de cobre. Ou outra coisa. No fim, o suspeito acaba identificado pela sua carta de condução, que deixa no bolso do agente que matou …


A carta de condução na posse do militar da GNR sugere mais propriamente um acto de identificação do que um espontâneo e explosivo encontro entre o polícia e o ladrão, em pleno acto criminoso. Com a boca na botija!


E um assassino frio e calculista, como o descreve a GNR, com tempo para tudo – largas horas, mesmo – acaba por fugir e deixar a sua identificação no bolso do militar que matou, e que deixou na mala do carro.


Que está mal contado, está. Acredito que se venha a descobrir por quê…

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quando se fala de egos ...

 


Quando tanto se fala de egos, aí está mais um.

Pedro Passos Coelho passou ao ataque pela mão da sua "madrinha", muito senhor de si, e da conta em que se tem.

Fala das reformas porque precisa delas para legitimar o seu ego. Faz lembrar - quem tem memória - a reforma do Estado de Paulo Portas, vazia, de letras gordas para encher espaço, mas esqueléticas de conteúdo, de mera retórica instrumental. 

Quer acima de tudo regressar ao poder. A todo o custo. Acha que é ele que congrega o bloco de direita, e esquece-se que a criatura, que tanto elogia, se sobrepôs ao criador. Ele próprio, incapaz de se enxergar por de trás de alguém cheio de si mesmo.


Há 10 anos

 



Não se lhe conhecem livros, mas conhecem-se-lhe canções. Livros e livros de música e de palavras. Das melhores que se escreveram...


Diz-se que escreveu dois livros com canções. Eu acho até que escreveu muitos mais. E que escreveu uma obra de ficção. Eu acho que eram mais canções. E que também escreveu um volume de memórias. Eu acho que nem era preciso...


 Acho que não sei o que lhes passou pela cabeça para que lhe entregassem o Nobel da Literatura. Acho até que o Bob Dylan merece. Mas acho que é apenas porque acho que ele merece tudo...

domingo, 11 de outubro de 2026

Benfica 2 - Vitória Sport Club 0

 


Mais 63 729 espectadores no palco da Luz, em mais uma demonstração da força benfiquista, neste regresso ao campeonato, três semanas depois.

A novidade na equipa foi Circati, por castigo de Lenglet, consequência daquele incrível vermelho do Dragão. De resto tudo normal, com Leandro Barreiro no meio-campo, ao lado de Palhinha, e Schjelderup a entrar para um ataque, com Prestianni a apoiar Pavlidis, a 10. 

O Benfica entrou demolidor, com meia hora de luxo, ao nível do que melhor fez esta época, como se não tivesse havido interrupção para as selecções. Logo aos 4 minutos, Rafa Silva atirou ao poste depois de uma defesa incompleta de Zych, o jovem guarda-redes do Vitória, a que se seguiu uma torrente de bom futebol e de oportunidades de golo. 

Não há dados estatísticos para estes 30 minutos, há-os para a primeira parte, que contempla já o último quarto de hora, quando o Vitória tinha já conseguido, à custa também de muita dureza e muitas faltas, muitas delas a passarem ao lado da respectiva acção disciplinar, estancar aquela torrente de futebol vinda do lado esquerdo do ataque do Benfica. Ainda assim, ao intervalo, eram 63% de posse de bola, 15 remates, 9 cantos e cinco oportunidades claras de golo!

O primeiro golo, para aí á terceira oportunidade clara de golo, surgiu apenas aos 24 minutos, com Prestianni a começar uma jogada em que Dahl tabela com Pavlidis e fica na cara de Zych.  Acaba com um chapéu de medidas certas, que faltara em tantos momentos anteriores. Era o primeiro golo de Dahl na Luz!

Pouco depois a exibição de gala do Benfica, com um golo a saber a muito pouco, começou a desvanecer-se. A um adormecimento do Benfica juntava-se um Vitória a acertar a pressão, muito à custa da tal agressividade, muita dela à margem da lei, tolerada pelo árbitro Luís Godinho, bem conhecido por estas paragens.

Mesmo que Pavlidis tenha entrado na segunda parte com mais uma grande oportunidade de golo, com um remate à malha lateral que bem podia ter tido melhor destino, a verdade é que até parece que não houve intervalo. O primeiro quarto de hora da segunda parte foi apenas a continuação último quarto de hora. 

Os jogadores do Benfica falhavam então muitos passes. A equipa perdeu a chama, e o desacerto foi galopante. Rafa desapareceu, e Bah (pelos vistos tinha razões pessoais para isso) parecia ora ingénuo, ora desligado. Se a primeira meia hora fora do melhor que já se viu, também estes 20 minutos foram do pior que se viu esta época.

O Vitória não conseguiu um único remate à baliza de Samu, que não fez uma defesa. Teve uma bola no poste, num cruzamento, em todo acidental, já na fase final da partida. Não teve uma oportunidade. Mas não era por o Benfica jogar bem!

Era imperioso mexer na equipa, e Marco Silva fê-lo. Começou por fazer entrar Aursnes e Echeverri, que na primeira vez que tocou na bola logo surgiu isolado, a rematar para golo – Zych com grande defesa, com os pés  –, após belo passe de Tomás Araújo. Depois entrou Sudakov, que pouco depois faria o golo da tranquilidade, numa jogada em que a bola passou por Prestianni e Echeverri, antes de acabar no ansiado golo do ucraniano.

As substituições resultaram, mesmo que Lukebákio e Duran, os últimos a entrar, tenham acrescentado menos. E mais uma vez se notou o dedo de Marco Silva. Quer nas dinâmicas ofensivas, que permitiram a avalanche ofensiva da primeira parte, quer nas substituições, que permitiram voltar a agarrar nas rédeas da partida. 

E o público voltou a ser muito importante, mesmo com o ressurgimento de uns pirómanos. Pelos vistos desejosos de voltar a ver a Luz de portas fechadas.

Luís Godinho não teve oportunidade para grandes feitos. Mas deixou muitas das 23 faltas (ao Benfica foram assinaladas 9) do Vitória sem o correspondente cartão amarelo. Nalgumas delas o segundo!


Há 10 anos

 


Hoje é dia de conhecermos o Nobel da Literatura. Mas também de aprovação em Conselho de Ministros da proposta de Orçamento de Estado para 2017.


Certamente já um dos mais discutidos de sempre. Mas também o de maiores expectativas de sempre: todos nos lembramos de, ainda há bem pouco tempo, a propósito de tudo e de nada se dizer que "com o Orçamento de 2017 é que vai ser ". É que seria o golpe final de Bruxelas... É que seria o inevitável rompimento do precário acordo que segura o governo... É que seria a revolta dos números, com as contas a deixarem definitivamente de bater certas...  É que se seria enfim o colapso decisivo da geringonça...  


Afinal, aqui chegados, são muitas as dúvidas sobre o que aí vem do Orçamento. Mas há duas certezas: nem a geringonça engasga, nem há razões para golpes de Bruxelas. Ou três, porque falta talvez a mais decisiva de todas: pode vir aí muita coisa, mas não vem aí o diabo. O tal!

sábado, 10 de outubro de 2026

Há 10 anos

 


O presidente Marcelo tem sido praticamente unânime. Tenta agradar a toda a gente, e a verdade é que o tem conseguido. Mas a verdade é, também que, consegui-lo, vai contra a sua natureza irrequieta: "agradar a todos é bom; mas é uma grande chatice"!


Por isso de vez em quando resolve fazer uns disparates, para que isto não seja uma grande chatice. Esta semana tivemos notícia de dois, e ambos têm a ver com condecorações: um ocorreu há já três meses, mas só agora teve destaque, com o estrondo de um vídeo dos terroristas do daesh; o outro é do início da semana, e a sua notícia chegou de mansinho, quase sem se dar por ela.


A condecoração do rei de Marrocos, Mohamed VI, com o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada é um disparate, é uma autêntica gafe. Condecorar um chefe de estado islâmico, com símbolos de uma religião adversa, contraria as mais elementares regras de bom senso. Tanto pior que, como se sabe, a figura de Santiago foi sempre a mais invocada nas campanhas de expulsão dos mouros da península, a ponto de ter até ficado conhecido por mata-mouros. Que Mário Soares tenha feito exactamente o mesmo, em 1993, com Hassan II, o pai do actual monarca, não serve de atenuante. Pelo contrário!


Marcelo teria muitas razões para condecorar Cavaco Silva. A mais forte de todas seria certamente por Cavaco ter sido tão mau que lhe permite a ele próprio, agora, parecer tão bom. Mas... condecorá-lo pela sensibilidade social? "Agradecer-lhe ter sabido compreender o que se passava na sociedade portuguesa"?


Por amor de Deus... Ou de Santiago...

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Nobel da Paz

 


Ainda não foi desta que Trump ganhou o Prémio Nobel da Paz. Continuam a passar ao lado do Comité Norueguês do Nobel os notáveis esforços de Trump para fazer a Paz. Bem evidentes na Guerra ao Irão, no estreito de Ormuz, na Riviera de Gaza, na invasão à Venezuela, no sufoco a Cuba, na paz para a Ucrânia, imposta á Rússia...

Como o Prémio deste ano foi para Navi Pillay - "pelos seus esforços para promover a paz e o Direito Internacional", ao serviço do Tribunal Penal Internacional, numa altura em que a "Justiça Internacional esta a ser atacada"-  ao contrário do que Trump dava por adquirido - e merecido -, decidiu acrescentar sanções à escalada que já tinha em curso contra aquele tribunal criminal sedeado em Haia.




Há 10 anos

 


Por trás da forma como se manifestam os taxistas, com mais ou menos arruaça, com mais ou menos - geralmente com mais - desacatos, com mais ou menos perturbação da ordem pública, ou mesmo com a subversão das formas de luta - como ontem aconteceu ao transformar uma marcha lenta num bloqueio - não há apenas uma desproporção de regulação difícil de perceber. E de aceitar.


Mesmo que este confronto se limite a opor dois tipos de agentes que basicamente desempenham a mesma actividade económica, mas a quem o Estado regulador coloca exigências completamente diferentes, ao ponto de, a uns, exigir tudo e, aos outros, não exigir nada, percebe-se o que está por trás.


Percebe-se a marcha do neo-liberalismo global que leva á frente tudo o que seja regulação. Que esmaga à sua passagem tudo o que encontre e que, de alguma forma, crie obstáculos ao resplandecente laissez faire laisser passer da globalização. 


A uberização das sociedades é isto que hoje se vê embrulhado nestas plataformas de mobilidade, que no fundo coloca aos cidadãos um trade off  que cheira a chantagem: toma lá vantagens e facilidades individuais enquanto cliente, e dá cá, enquanto cidadão, todos os direitos colectivos que possam constituir os nossos deveres e obrigações. A uberização é a precarização das relações sociais, é um mundo sem direitos laborais nem obrigações contratuais. Sem regularização. E sem Estado que não seja em serviço próprio!


O que não quer dizer que o regulado mundo dos taxis esteja cheio de virtudes. Nada disso...


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Há 10 anos

 



 

Esse grande pensador, e incontornável mestre da teoria política do PSD que se dá pelo nome de Duarte Marques, garante que “o maior desafio da democracia portuguesa é resgatar o PS do sequestro da extrema-esquerda”. 


Escapa-lhe sempre qualquer coisa. À tese falta sempre o fio que a liga à realidade: a bota não joga com a perdigota.  Desta feita escapou-lhe o síndrome de Estocolmo!


 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

7 de Outubro



Passam hoje hoje três anos sobre o massacre de judeus num festival de música. Um festival agendado para as proximidades de Gaza, muito acessível a instintos criminosos do Hamas. Um massacre, ás vistas de hoje, demasiado previsível. 

E hoje, á luz de hoje, visto como como um massacre conveniente. Para outro, para que se seguiu e reduziu Gaza a cinzas e escombros. E exterminou todo um povo, que perdeu o direito a existir ...

Há 10 anos

 


Mais um perdão fiscal. Cada governo tem o seu. Cada partido o adopta no governo, exactamente como o critica na oposição ...  É a vida: sempre na mesma. Quando as coisas apertam e o défice fica mais difícl de cumprir... lá vem mais um perdão fiscal, na expectativa que o empurrão inicial - a primeira prestação - resolva a coisa. Sempre na mesma.


Já são tantos os perdões fiscais que é já possível começar a perceber tendências. E já se começa a perceber que cada perdão só resulta para as dívidas fiscais surgidas depois do último. É por isso que os seus resultados nunca fogem muito de 1,5 a 2 mil milhões de euros, e aquele número assustador, que resolvia para sempre todos os problemas do país, continua imutável. Sempre lá. Sempre na mesma...

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Há 10 anos



António Guterres é o próximo secretário-geral das Nações Unidas, depois de, perante os membros do Conselho de Segurança, ter passado com sucesso praticamente absoluto seis provas de avaliação. Apesar disso, dessa sucessão de sucessos, eram muitas as dúvidas sobre o êxito final da difícil tarefa a que Guterres se lançou que, como se sabe, o levou a rejeitar liminarmente qualquer hipótese de candidatura às presidenciais do início do ano. À medida que ia ultrapassando as sucessivas provas dizia-se até que seguia de vitória em vitória, até à derrota final.


Tudo porque, dizia-se, o novo secretário-geral teria de ser, primeiro, mulher e, depois, do leste europeu, adjectivação que se julgava já fora de moda enquanto conceito geo-estratégico. O próprio Ban ki-moon – também ele a não resistir a meter-se onde não devia – também tinha as "suas mulheres", que não eram de leste - eram de dentro. E porque, à última e completamente a destempo, a Senhora Merkel, e atrás dela a Instituição Europeia, com o Presidente Juncker à cabeça, lançaram a candidatura de uma vice-presidente da Comissão Europeia: uma mulher do leste da Europa. Búlgara, tal qual outra candidata, líder da Unesco, a quem o seu governo retiraria o apoio, transferindo-o para a candidata lançada pela Alemanha, que não continua a não aceitar a velha ordem do pós-guerra que impera na ONU.


 Contra tudo isto, Guterres acabou mesmo por reforçar a votação na sexta e última ronda. Porque era de facto o melhor candidato. E por isso mesmo, porque era o melhor, a sua vitória é uma vitória da própria Organização das Nações Unidas. Só depois é uma vitória pessoal, do grande mérito de António Guterres, a quem o cargo assenta como uma luva. E só mais remotamente uma vitória da diplomacia portuguesa. E mesmo do país.  


Não há ganhadores sem perdedores. Perdeu a búlgara Kristalina Georgieva, que se prestou à triste figura que Merkel lhe reservou. Perdeu a líder alemã. Perdeu o governo búlgaro. Mas, acima de tudo, perdeu a União Europeia. Que mostrou que é cada vez mais um projecto falido.      


 Por cá também houve quem saísse a perder. Mas nem parece. Querem todos ficar na fotografia…

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Há 10 anos

 


Foi um longo processo, este que levou António Guterres ao topo da hierarquia das Nações Unidas. 


Para trás tinham ficado cinco votações dos quinze membros do Conselho de Segurança, com Guterres sempre a ser o mais pontuado. O mais encorajado, na linguagem específica do meio. Uma maratona.


À entrada para a sexta - e última - votação, como que à entrada da porta da maratona (a porta de acesso ao estádio onde, em duas voltas à pista, se completam as últimas centenas de metros dos 42,195 quilómetros da prova), com o candidato português bem isolado na frente, a Srª Merkel e o Sr Junckers empurraram para lá um concorrente que não vinha integrado na corrida. Para correr apenas os últimos 800 metros, e ganhar. Afiançavam.


António Guterres ganhou, na mesma. Reforçou até a sua votação, com treze votos de encorajamento e apenas duas abstenções. E a candidata oficial da União Europeia, a concorrente da batota, acabaria no oitavo lugar. Em dez. Uma vergonha!


Parabéns a António Guterres. O homem certo no lugar certo: o que provavelmente mais ambicionou. E o que provavelmente melhor lhe assenta. Mesmo que não tenha a importância que parece que tem!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

A cor do dinheiro

 


A Medialivre tem como acçionista Cristiano Ronaldo. Os órgãos de comunicação que a constituem, em vez de independentes, como o próprio nome da Holding sugere, assumem-se como polos da pressão do ultra mediático o antigo (?) capitão da selecção portuguesa.

Dir-se-ia que é normal. Por alguma razão "eles", os poderosos, investem tanto dinheiro na comunicação social: para dar expressão aos seus interesses. Legítimos e ilegítimos. 

Anormal é que todos os comentadores desses órgãos, todos sem excepção, alinhem nessa batalha. Que todos, na CMTV ou na NOW, independentemente do clube que dizem representar, seja quem for, sejam do Benfica, do Sporting, ou do Porto, alinhem nas mais extremadas posições, mas sempre em favor Cristiano Ronaldo.

E aliás a única matéria em que todos estão de acordo. Ora, isto já não se pode dizer normal. Isto diz tudo sobre as pessoas dos tais comentadores. Que se digladiam até aos limites da falta de educação e da decência, só porque isso garante audiências. Mas estão todos do mesmo lado, do lado do dono, para garantir a avença.

Só não são eles os autores destes "outdoors" porque são anónimos. E custam muito dinheiro. Que tem cor. 

Há 10 anos

 


Ora aí está. Depois de umas bicadas meio ziguezaguiantes, nem sempre bem sucedidas e até com alguma coisa de tiro no pé, eis que o Bloco acerta em cheio. Na mouche!


Que não largue. Não é só de temas fracturantes que se faz o protesto. Também se faz com temas consensuais, e muito especialmente com os que o poder quer manter escondidos. 


 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Há 10 anos

 


Jogo às quatro da tarde, de uma tarde bonita, soalheira, à maneira antiga. Estádio cheio, com os adeptos a dizerem que se lixe Nápoles que o jogo é para o campeonato. Nada que parecesse ter impressionado o Feirense, que entrou desinibido, logo com uma oportunidade de golo no primeiro minuto. No primeiro e único remate que fez à baliza em oitenta minutos de jogo. Rui Vitória promoveu três alterações no onze que esteve à beira do desastre no São Paolo: uma, por mais uma lesão – de André Horta – , outra com o regresso de Ederson, que nada teve a ver com os descalabro de Júlio César em Nápoles, mas tão só com a sua politica de alternância na baliza, que a opinião publicada continua a não ver e, por fim, com o regresso do capitão Luisão. Que tem muito a ver com o que o Benfica tem sofrido nos lances de bola parada. E manteve a titularidade de Carrillo, hoje mais metido na equipa, mas ainda muito longe do que sabemos que é capaz. Do que fez no passado, e do que todos continuamos à espera que volte a poder fazer.


O Benfica não jogou mal, raramente esta equipa joga mal. Pode passar por momentos de desconcentração, ou de menor fulgor, mas nunca deixa de produzir bom futebol. Mas faltou-lhe, e falta-lhe com frequência, intensidade. Que tem dois ingredientes fundamentais: velocidade e agressividade.


Faltaram ambas, e isso foi demasiado flagrante na primeira parte deste jogo com o Feirense. Em que, mesmo com 75% de posse de bola, o Benfica não só não criou muitas oportunidades de golo, como não esmagou o adversário. Fez mesmo assim o suficiente para justificar a vantagem ao intervalo, mesmo que resultante de um auto golo. E despropositado.   


Na segunda parte o Benfica cresceu muito. Não que a intensidade de jogo tenha aumentado por aí além, mas porque o segundo golo chegou e acabou com a resistência do Feirense. Foi um golo decisivo, mas de novo um golo com alguma felicidade, se bem que, desta vez, em resultado directo da agressividade – ora aí está! – de Salvio, hoje o melhor em campo e muito mais perto daquilo que foi, e do que já se duvidava que pudesse voltar a ser. E a confirmar a sua ligação ao golo. Um regresso que se saúda!


Como se saúda o de Luisão, que confirmou toda a sua importância na equipa. E acima de tudo o de Zivkovic, um jogador fantástico, que tem tudo para se tornar rapidamente num caso sério. E o de Cervi, à equipa e aos golos, e a acentuar as dificuldades de Carrillo...


E outros haverá a chegar, agora que a competição será interrompida por umas semanas. Com o Benfica a golear (4-0) e a alargar para três pontos a distância para o rival, como diz o outro…


Hoje foi também dia de entrega dos prémios do CNID referentes à época passada:


Melhor treinador – Rui Vitória;


Melhor jogador – Jonas;


Jovem revelação – Renato Sanches.


Não tem nada a ver com o que por aí andaram a fazer crer. Pois não?


O aldrabão mor

Sem surpresas. Era esperado! O aldrabão mor do reino juntou-se aos protestos que grassam no país.  Tal e qual como no caso de legislação lab...