segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Santa Clara 1 - Benfica 2

 


O Benfica foi aos Açores, num relvado impróprio para jogar futebol, e com uma ventania que merecia respeito, para discutir o jogo com uma boa equipa da Liga Portuguesa, orientada por Petit e à sua imagem, arbitrado por um senhor muito nervoso, com critérios diferentes para situações iguais.

Mão dentro da área é mão. Mas mão dos jogadores do Benfica, seja lá como for, é pênalti. E dá golo, o único do Santa Clara. Mão dos do Santa Clara, não se passa nada. Faltas são faltas. As do Benfica, nem menos, têm logo direito a cartão amarelo. O sururu no final do jogo é criado pelos jogadores do Santa Clara, frustrados com a derrota. Teve no epicentro o jogador Fernando, o marcador do pênalti que deu o golo do Santa Clara, culminado num aperto do pescoço a Duran. Foi expulso, sem fazer (que se visse) nada para isso. Ao contrário de quem lhe apertou o pescoço, e iniciou a escaramuça. Faltas grosseiras contra jogadores isolados do Benfica dão cartão amarelo. Se forem jogadores do Porto, noutro jogo é certo, mas o campeonato também se faz desses, dá expulsão. 

Como, por comportamento do público, no Dragão, dá interdição de uma ou outra bancada, em jogo da Taça da Liga. Pelo mesmo motivo, fecha-se o Estádio da Luz, num jogo do campeonato. 

É com isto - estado da relva, critérios das arbitragens, decisões disciplinares - que o Benfica tem de se defrontar toda a época. E nem sempre com os melhores argumentos. Nem sempre tem à mão grandes exibições para ultrapassar estas adversidades.

Na primeira parte, fosse por jogar a favor do vento, fosse por o Benfica ter iniciado o jogo com menos dois jogadores - Rafa, completamente fora de forma, e Sudakov, simplesmente porque sim, estiveram no onze inicial, mas só a fazer número - o Santa Clara dominou o jogo por completo.

Com pouca bola (30% de posse de bola) os açorianos pressionavam no campo todo, sem deixar pensar, os jogadores do Benfica. Ganhavam rapidamente a bola, impedindo as posses prolongadas, e tinham sempre três setas apontadas à baliza do Samuel.

Tendo o golo resultado de um pênalti escabroso, a verdade é que o resultado ao intervalo era amplamente merecido. O Benfica mostrava a sua pior cara da época!

Ao intervalo entraram Schjeiderup e Lukébakio para acabar com a vantagem numérica dada aos açorianos. Marco Silva correu grandes riscos, ao aguentar tanto tempo Rafa e Sudakov em campo. E essa mudança foi decisiva, não foi o vento!

É certo que o Santa Clara poderia ter feito o segundo golo no início da segunda parte, mas foi então a única ocasião. Valeu o corte in-extremis de Samuel Dahl. Depois, em seis minutos, o Benfica deu a volta ao resultado, e ao jogo.

Primeiro foi Prestianni, então já a jogar "a 10", que ganhou um duelo do lado esquerdo, embalou em direcção à área, e cruzou para a cima da linha de golo, onde Pavlidis, com uma inteligência de movimentos notável, marcou um golo que só ele marcaria. Seis minutos depois foi Prestianni, agora à direita, a fazer tudo: ganhou uma bola no meio campo e foi por ali fora, viu que não tinha a quem a passar e decidiu furar pelo meio dos defesas, e rematá-la mais à frente. Sem defesa! 

Depois foi assumir o controlo dos lances a meio campo, e ditar as leis do jogo. Sem grandes calafrios, e até com autoridade. Mas sem muito mais! 

O Santa Clara, de Petit, está a fazer um grande campeonato, e não é fácil de bater. E o resultado é francamente melhor que a exibição. Melhor ainda pelas condições que a marcaram!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Santa Clara 1 - Benfica 2

  O Benfica foi aos Açores, num relvado impróprio para jogar futebol, e com uma ventania que merecia respeito, para discutir o jogo com uma ...